domingo, 13 de novembro de 2011

Occupy in Germany

Ralph Roman Konrad Gniss*
Fonte: blog Espaço Acadêmico

      No início cogitou-se em umas centenas de participantes, nada mais – e depois eles se juntaram: 6000 em Frankfurt, 10.000 em Berlin, 100.000 em Roma, em 1000 cidades de 82 países. Sem organização anterior, sem precedentes, espontâneos, imprevisíveis, propulsionados pela mesma ira como em Nova York: “Nós somos 99%!” Deste jeito, não mais.
      Pela primeira vez: advogados, universitários, donas-de-casa, médicos, quarentões em jaqueta de couro, aposentados, idosas de touca e luva contra o frio, juntos com cabeludos, barbudos, com punks e ravers – uma classe média bem formada, no mesmo protesto, na mesma preocupação: o atual sistema sócio-econômico não é justo, sentimo-nos suas vítimas, nem sequer seus participantes. Medo do empobrecimento no pilar central da sociedade alemã, na classe média. “Não queremos a tragédia grega aqui.” Com razão.
      E o protesto atinge o ponto nevrálgico: quem é que finalmente detém o poder e manda neste caos atual – os políticos, eleitos para tal cargo e responsabilidade, ou os bancos, arriscando e devorando os investimentos do pequeno poupador em aplicações sem futuro, mas com lucro a curto prazo para eles? Até quando nossos impostos financiarão gastanças com empréstimos sem controle?
     Um aspecto em comum ficou claro no mundo inteiro: a carta amarela para os bancos. O protesto da sociedade civil contra uma predominância anônima, que inverte as finalidades do sistema econômico em capitalismo selvagem e perverte um convívio social numa sociedade capitalista. “Não estamos mais de acordo.” E: “Cuidado, estamos de olho. Vocês não sairão ilesos.”



      Em 10 dias mais que 50 matérias em jornais e semanários da Alemanha – nunca vi igual. Não sobre futebol, nem sobre o tema permanente, a crise do Euro, o endividamento dos países europeus muito acima dos 60% do PIB nacional segundo o contrato de Maastricht. Uma manifestação de base contra uma perversão: “Esta insanidade financeira deixa nossa sociedade vulnerável. Por isso vamos às ruas. Saibam que nossa ira é justa!” Ninguém esperava, agora, um grassroot-movement deste alcance, e ainda, na Alemanha.
      O occupy-movement na Alemanha tem traços próprios, como se reflete na diversidade de comentários e publicações – nem sempre favoráveis. Seus manifestantes não são desempregados, nem da extrema esquerda. É a coluna de todo um sistema social que adverte contra a degradação da sociedade pelo capitalismo selvagem e suas conseqüências. Pode ser que a economia capitalista seja um meio aceitável – mas ele tem que ser um mero meio. Nada mais. Portanto: o Não a uma sociedade capitalista que ignora os valores humanos e devora seus filhos.
      Algo tem que mudar – não temos resposta, mas estamos aqui para procurá-la, juntos. Ela existe, formulada pelos heterodoxos do sistema. E sem recaídas no ranço das contra-ideologias. As duas do séc. XX estão falidas. Não adianta sonhar em cor-de-rosa com os erros do socialismo passado.
      E: que nenhum partido pense em nos cooptar, alinhar. Cada um pode participar, é bem-vindo – mas sem bandeira ou camiseta estampada. Por isso, eu prefiro manter aqui o título que eles ganharam nos jornais dali: grassroots-movement. Já houve tantos movimentos de base por aqui; o nome já virou inflacionário. E quase todos de uma espontaneidade duvidosa: fracionários, cooptados por partidos, até organizados de cima – as CEBs, por exemplo, mas não só. Com suas raízes literalmente no ar, com aquele mau cheiro de desgastado.
      O futuro? Ninguém sabe. Dependerá da espontaneidade dos demais, da sua simpatia e participação, da sua ira a ser compartilhada, da intensidade e da persistência do protesto. Dependerá da transformação deste protesto num projeto de uma nova sociedade, sem domínio dos mercados financeiros, democrático, with grassroots, no more without.
      Este início é uma promessa a se cumprir, comunicada de maneira mais anti-autoritária possível, por Internet, Twitter, Facebook: incontrolável, imprevisível – irascível, mas com um atrativo desconhecido: o charme da ira justa dos mais experientes na vida.
      Assim, o german occupy-movement consegue transmitir aquela sensação gostosa de uma brisa matinal num dia ensolarado da primavera.
      Tomara que se mantenha este frescor…





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* RALPH ROMAN KONRAD GNISS é Prof. aposentado da FaFil/UFG.




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Muitas Vezes Parece Que a Humanidade Retrograda...

‘Grupos xenófobos devem crescer ainda mais’, diz pesquisador britânico
Gabriel Bonis, Carta Capital

      Os movimentos e partidos populistas, ou ultradireitistas, ganharam força na Europa Ocidental na última década por meio de discursos personificados contra, entre outros temas, a imigração e o multiculturalismo. Hoje, esses grupos avançam e conquistam adeptos divulgando sua ideologia nas redes sociais. É essa ligação quase desconhecida que o estudo The New Face of Digital Populism (O Novo Rosto do Populismo Digital, em tradução livre), realizado pela organização independente britânica Demos, analisa.
      O levantamento pediu a simpatizantes de grupos populistas, que geralmente se organizam à margem da sociedade e visam representar lemas conservadores das classes menos favorecidas, de 11 países europeus para preencherem um questionário.
      As mais de 10 mil respostas indicaram, segundo o instituto, o descontentamento desta parcela da população com governos, sistemas de Justiça e as elites política e financeira do continente. Aspectos semelhantes à onda de manifestações internacionais contra o neoliberalismo, liderada por jovens lembrados como “os indignados”.
      “Os movimentos ‘Occupy’ [Ocupar Wall Street, por exemplo] têm semelhanças com esses grupos no sentido em que ambos são populistas, desafeiçoados das elites e advogam contra os sistemas político e financeiro”, diz Jonathan Birdwell, pesquisador sênior do Demos e um dos autores do estudo, em entrevista a CartaCapital.
      No entanto, as similaridades entre os grupos resumem-se apenas aos aspectos econômicos citados acima, aponta Birdwell. Segundo ele, os 14 grupos analisados, entre eles o Bloc Identitaire (França), CasaPound (Itália) e English Defence League (Reino Unido), vão além da insatisfação com o sistema capitalista moderno e acrescentam ao seu discurso ideias xenófobas, típicas da direita conservadora. Algo que pôde ser captado na pesquisa, pois os entrevistados mostraram-se contra imigração, o Islã e o multiculturalismo, por avaliarem que sua identidade nacional estaria ameaçada. “Mesmo assim é significante o fato de assistirmos ao surgimento de movimentos populistas em ambos os lados.”
      De acordo com a pesquisa, os grupos populistas mapeados são compostos majoritariamente por homens (75%) e jovens (63% têm menos de 30 anos), que utilizam mídias sociais online de forma massiva, somando mais de 430 mil seguidores no Facebook. Uma ferramenta de publicidade ideológica que auxilia esses movimentos a levarem 26% de seus “participantes virtuais” às ruas em protestos e demonstrações. “É muito fácil clicar no botão ‘Curtir’ na página da English Defense League, mas esse resultado é bem mais elevado que a média de cidadãos europeus de 10%”, diz. “Essas pessoas estão usando a internet e ferramentas online como uma ponte para estimular de fato outros a se envolverem no ativismo do mundo real.”
      Na migração do universo digital para a realidade, a maioria dos entrevistados se disse contrária ao uso da violência a fim de alcançar seus objetivos. Por outro lado, 26% concordaram com atitudes “mais firmes” para atingir as metas almejadas. “Os apoiadores destes grupos tendem a ser muito impacientes, impulsivos, energéticos e querem partir para a ação, mas não creio que vão se voltar exclusivamente para o uso da violência.”
      O pesquisador reconhece, porém, o potencial negativo da retórica dos movimentos populistas, aos quais atribui a capacidade de criar “lobos solitários” como Anders Breivik, responsável por um duplo atentado na Noruega, em protesto à invasão islâmica na Europa, que deixou 77 mortos. “Alguns grupos combinam um sentido de urgência ao colocar em jogo a cultura nacional e a identidade dos indivíduos. Usam dados demográficos para dizer que em 50 anos, os imigrantes muçulmanos no continente serão maioria e os europeus étnicos minoria em seu próprio país.”
      No cenário atual de avanço do populismo, Birdwell afirma ainda não ser possível prever o impacto desta ideologia nas novas gerações de cidadãos europeus, mas mostra-se preocupado com o perfil jovem dos integrantes destes grupos. A pesquisa, no entanto, já reflete um aspecto contraditório na população mais jovem, na faixa de 16 a 20 anos. Cerca de 20% deles citaram a imigração como motivo para apoiar movimentos direitistas, contra apenas 10% dos indivíduos acima de 50 anos.
      Apesar de os jovens serem vistos como mais liberais que as gerações anteriores, o pesquisador destaca a preocupação do setor com os rumos da economia da Europa e da Zona do Euro. “Caso a situação siga por um caminho ruim, devemos nos preocupar, pois o apoio a movimentos anti-imigração e xenófobos vai continuar a aumentar, como é historicamente comum nestes períodos.”
      Desiludidos sobre o futuro de seus países e críticos à União Europeia, apontada como a responsável pela perda de controle nas fronteiras, 70% deles não confiam mais no sistema de Justiça. Contudo, mesmo sem crer também na política, consideram o voto importante. Por outro lado, 67% votaram na última eleição em partidos populistas, que alcançaram relativo espaço na Europa. “É importante medir o impacto destes grupos na política não pelo tamanho que ocupam e sim pela capacidade de influenciar a elite política com seus discursos”, diz.
      Segundo Birdwell, Nicolas Sarkozy, Ângela Merkel e David Cameron já adotaram o antimulticulturalismo, uma ação que reflete a retórica populista. “Conforme os políticos de destaque começam a adotar essas retóricas, vê-se o impacto que esses grupos podem ter.”

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Governos aproveitam mal royalties do petróleo

Estados e municípios produtores não conseguem transformar dinheiro em benefícios para a população. E, para piorar, corrupção aumenta
Cecília Ritto, do Rio de Janeiro, Veja

      A discussão sobre o destino dos royalties e participações especiais oriundos da exploração do petróleo limita-se, por enquanto, a uma batalha pelos recursos. Apesar de essa gorda contribuição aos orçamentos dos estados e municípios não ser uma novidade no Brasil, as formas de utilizar o dinheiro permanecem a critério de governantes, e, portanto, sujeitas a interferências de ideologia, proposta de governo e uso eleitoreiro.
      O caso de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, é emblemático nesse sentido. E o exemplo não é dos melhores. Como produtor de petróleo, Campos recebeu 10 bilhões de reais nos últimos dez anos. Os recursos são, em tese, uma compensação pelos impactos causados pela exploração do petróleo, uma indústria com grandes implicações ambientais. Tanto dinheiro, no entanto, não serviu para resolver questões básicas da cidade, e o município até hoje tem abastecimento de água precário e não tem cobertura ou tratamento completos de esgoto. Na habitação, o cronograma de obras está atrasado e algumas construções estão paralisadas. Na área da saúde, o número de profissionais é insuficiente. A pesquisa "Pobres Cidades Ricas", coordenada pelo professor Cláudio Paiva, do departamento de economia da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), mostra que dobrou a verba para a saúde, sem que com isso aumentasse o acesso da população ao serviço.
      O levantamento tem como base dados de 2009, mas, de lá para cá, pouco mudou. Nesses dois anos, Paiva foi muitas vezes a Campos e detectou a permanência de problemas anteriores à bonança do petróleo. A bonança, na verdade, foi para os políticos. A conclusão de Paiva é de que houve aumento dos casos de malversação dos recursos públicos, fiscalização propositalmente falha e corrupção. E isso não é um problema apenas de Campos. O levantamento de Paiva cita informações do pesquisador Sérgio Gobetti, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que mostra o aumento nos gastos dos 141 municípios chamados de “dependentes do petróleo”. As cidades gastaram quase 44% a mais em educação e 45% em saneamento - os municípios são obrigados a investir 15% dos recursos em saúde e 25% em educação. O estudo de Paiva, no entanto, mostra que o aumento do repasse de verbas para essas áreas não significou melhorias no serviço prestado.
      As cidades dependentes do petróleo aumentaram em 160% os gastos com a prefeitura e com a câmara municipal. As despesas com a máquina pública cresceram cerca de três vezes mais do que o dinheiro destinado à saúde e à educação, segundo a pesquisa. Esses mesmos municípios têm uma arrecadação tributária 30% menor do que aqueles que não recebem royalties do petróleo. Esse é o caso de Quissamã, no Rio de Janeiro, que arrecada 8 milhões de reais e recebe 250 milhões de receita do petróleo. “É muito dinheiro e vai crescer os olhos da corrupção”, diz o professor da Unesp, fazendo um alerta para a quantidade de dinheiro que será injetada nos municípios com o pré-sal.
      A estimativa de receita para 2020 é da ordem de 59 bilhões de reais (segundo o Plano de Negócios da Petrobrás) ou 79 bilhões de reais (pelo projeto de Lei do senador Vital do Rêgo). É muito dinheiro para pouca discussão sobre como investi-lo. “Cria-se a falsa justiça federativa. As pessoas acham que a justiça estaria sendo feita ao distribuir de forma igualitária os recursos. Na verdade, não daremos salto de desenvolvimento econômico dando um quinhão para cada um”, afirma Paiva. A solução para ele seria a criação de um fundo nacional que concentrasse a maior parte dos recursos e promovesse um salto qualitativo no desenvolvimento, para tornar possível a redução das desigualdades nacionais.
      Pulverização – A redução da distância entre os diferentes entes federativos se daria, na visão de Paiva, pelo investimento em educação, infraestrutura, ciência e tecnologia. É esse o grande desafio da abundância prometida ao Brasil nos próximos anos. A regra número um para que o dinheiro do petróleo não termine no ralo é evitar a pulverização dos recursos. O projeto do senador Vital do Rêgo, aprovado no Senado Federal, vai justamente na contramão desse pensamento.
      O projeto de lei proposto por Rêgo é abrangente quando se trata da finalidade do dinheiro do petróleo. Se sancionado pela presidente Dilma Rousseff, o substitutivo define que, no mínimo, 40% da verba sejam investidos em educação, até 30% vão para projetos de infraestrutura social e econômica, e 30% para saúde, segurança, programas de erradicação da miséria e pobreza, cultura, esporte, pesquisa, ciência e tecnologia, defesa civil e para o meio ambiente.
      Todo mundo recebe. Mas todos ficam com pouco. Ou seja, contempla-se todas as pastas, mas a população, sem uma diretriz e prioridades claras, ficou em último lugar.
      Fundo – Os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Aloysio Nunes (PSDB-SP) são autores de um projeto que define a destinação do dinheiro em bases semelhantes à proposta pelo professor Paiva. Toda a verba arrecadada iria para um fundo que começaria a ter os seus rendimentos resgatados a partir de 2020. A partir daí, o dinheiro seria investido em educação e em financiamento de pesquisas.
      Os juros e a correção monetária seriam divididos pelo número de crianças em cada estado. A ideia é dar um destino mais seguro ao dinheiro e tentar fazer com que ele dure por mais tempo. Pelo projeto de Rêgo, é improvável que os recursos sejam capazes de reverter algum dos vários problemas brasileiros. “O projeto do senador Vital do Rêgo não desagradou ninguém, mas também não construirá nada para o futuro do Brasil”, afirma Buarque.
      Marcelo Crivella (PRB-RJ), um dos senadores empenhados em derrubar a proposta de Vital do Rêgo e em manter a maior parte dos recursos com os estados produtores, considera o conceito defendido por Buarque o mais adequado. “A liberdade para estados e municípios investirem a verba ficou ampla porque os senadores sofreram pressão dos prefeitos, que querem poder usar o dinheiro como bem entenderem. Investir pouquinho em muita coisa não muda a vida das pessoas”, critica.
      O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) também alerta para o risco de os investimentos ficarem dispersos e não apresentarem resultados. “Quem prioriza tudo acaba não priorizando nada. O projeto de Buarque e Nunes reconhece que o recurso é finito e olha preocupado para as futuras gerações”, defende Ferraço.
      Pelo substitutivo de Rêgo, levarão os recursos aqueles que tiverem mais força política e fizerem mais pressão para abocanhar uma fatia do dinheiro do petróleo. O resultado é um gasto rápido e pouco efetivo em termos de melhorias para a população. “Da maneira que ficou, pode ser aplicado em tudo, até em ONGs do Ministério do Esporte”, diz Cristovam Buarque, aproximando a fartura de dinheiro aos casos de corrupção que culminaram com a queda do ministro Orlando Silva. O pedetista explica a disputa pelos royalties e participação especial da seguinte forma: uma briga entre os estados e municípios e não uma discussão entre presente e futuro.

Estão Brigando Pelo Quê Mesmo??????


Fonte: Walter Jr. Charges.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Como Ver a Lua Contra as Luzes da Cidade???


Lua Adversa

Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


Cecília Meireles, in 'Vaga Música'

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Mais Uma Demonstração do "Respeito" dos Nossos Administradores Públicos Pela Educação!

Colégio estadual acaba com turmas faltando apenas um mês para fim do ano letivo


Por Christiano Abreu Barbosa, Folha da Manhã, em 05-11-2011 - 12h22

      Professores e pais de alunos estão em polvorosa no Colégio Estadual Julião Nogueira. Faltando somente um mês para o fim do ano letivo, três turmas (902, 801 EJA e 2002) foram extintas, com a alegação de que tinham poucos alunos, com apenas 10 estudantes, em média, por turma.
      Com o fechamento das turmas, os alunos estão sendo obrigados a mudar de turno e até de escola. Alunos que trabalham e estudam e se programaram para fazer ambos em turnos diferentes ficarão impossibilitados de concluir os seus estudos. Os professores também estão tendo que modificar totalmente os seus horários, tendo de procurar outra escola.
      A decisão teria sido tomada pela Regional Norte-Fluminense. É certo que é não é econômico e nem produtivo turmas com baixo número de alunos. Agora, porque tomar tal decisão faltando apenas um mês para acabar o ano letivo? É de uma absoluta falta de respeito com alunos e professores.
      É por estas e outras no ensino público que o estado do Rio tem índices tão ruins na educação.

Comentário do Blog: ficamos sabendo, via blog do Christiano Abreu Barbosa, que houve uma reavalização da situação da escola pela Secretaria de Educação, resolvendo esta manter as turmas em funcionamento até o final do ano letivo. Menos mal, mas fica a pergunta no ar: se não tivesse virado notícia???

Frei Betto: Beba, mate e fique livre

      Nas últimas semanas, a mídia registrou vários casos de acidentes de trânsito com mortes provocadas por motoristas embriagados. Foram presos e, graças à fiança, em seguida soltos. Alguns nem possuíam habilitação para dirigir.
      O Brasil é o país da impunidade. As leis são feitas apenas para os pobres — que não têm dinheiro para pagar advogados e fianças. Da classe média para cima, nenhum assassino do volante se encontra preso. São 57 mortes por dia associadas ao alcoolismo.
      Há intensa campanha contra o tabagismo e, no entanto, alcoolismo mata mais. É o terceiro fator de morte no mundo, precedido pelo câncer e doenças cardíacas. Por que não se proíbe publicidade de bebidas?
      Os dados são alarmantes: 68,7% dos brasileiros ingerem álcool. Nos hospitais psiquiátricos, 90% das internações são de dependentes de álcool. Os motoristas bêbados são responsáveis por 65% dos acidentes de trânsito. E o Ministério da Saúde gasta, por ano, via SUS, mais de R$ 1 bilhão em tratamentos e internações causados pelo álcool.
      Por que não se aplicam as leis de proibição do tabagismo ao álcool? Porque falta coragem de fechar a torneira do mar de dinheiro que as empresas de bebidas alcoólicas despejam na publicidade. E o mais grave: associa-se álcool a celebridades, como jogadores de futebol e cantores, que fascinam os mais jovens e atraem legião de fãs.
      Nunca tive notícia de acidentes de trânsito causados por vício de fumar, agressão doméstica por aspirar fumaça de tabaco, internação psiquiátrica por dependência de cigarro. Todos nós, porém, conhecemos casos relacionados ao alcoolismo. E haja publicidade de cerveja no horário nobre! Para os jovens, a cerveja é a porta de entrada no consumo de bebidas etílicas.



Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser, de “Conversa sobre a fé e a ciência”

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Prefeitura de Macaé demitirá todos os contratados

Por Suzy Monteiro, em 03-11-2011 - 0h03

      Todos os funcionários contratados que atuam na prefeitura de Macaé serão demitidos até o próximo dia 31 de dezembro. A medida segue acordo firmado entre governo municipal e Ministério Público.
     Os contratados serão substituídos por aprovados no novo concurso público que será realizado ainda este ano. A previsão é que a posse dos novos cargos para o quadro fixo da Prefeitura aconteça já em janeiro de 2012.
      A previsão é que sejam cortados cerca de quatro mil pessoas que atuam dentro da administração, em secretarias, autarquias, coordenadorias e instituições públicas através de contratos de trabalho. Já o número de assessorias disponibilizadas dentro do organograma do município chega próximo a casa dos 10 mil.

(Fonte: O Debate)

      COMENTÁRIO DO BLOG: quando chegará a vez da lei valer também para Campos dos Goytacazes?



terça-feira, 1 de novembro de 2011

1º de novembro de 1922: O triste fim de Lima Barreto

01/11/2011 - 10:30
Enviado por: Lucyanne Mano (Jornal do Brasil)
 
      Lima Barreto, 41 anos, morreu vítima de um ataque cardíaco fulminante. Embora tenha deixado um legado literário em contos, crônicas e ensaios, além de crítica literária e memórias, morreu sem ter o reconhecimento de sua obra.
      Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio no dia 13 de maio de 1881. Mulato, de família pobre de escravos, teve uma infância difícil, agravada pela perda precoce de sua mãe. Os obstáculos, contudo, não foram suficientes para impedir que ele tivesse acesso aos estudos, alcançando com êxito a aprovação na Escola Politécnica para estudar Engenharia. O curso, contudo foi interrompido, logo após seu pai adoecer por sucessivas crises de loucura.
      Em 1904, começou a escrever a primeira versão de Clara dos Anjos. Rejeitado pela maioria dos escritores de seu tempo, Lima Barreto enfrentou muitos problemas para publicar seus livros. O primeiro foi Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de 1909, história de um anti-herói negro, em tom autobiográfico.
      Presa fácil do álcool e da vida boêmia, o escritor se internou no Hospício Nacional, em 1914, para onde voltaria cinco anos depois. Em 1915, no entanto, editou sua obra-prima: O Triste Fim de Policarpo Quaresma, que narra o destino trágico de um homem tomado pelo patriotismo ingênuo.
      Em 1918, manifestou seu apoio à Revolução Russa e, em 1919, foi recusado na Academia Brasileira de Letras. Morreu no Rio.

Drummond

      Confira no link abaixo a última crônica de Drummond no Jornal do Brasil.


http://jblog.com.br/hojenahistoria.php?imagepopup=57/20111028-ciao2.JPG&width=1460&height=881&imagetext=Clique+aqui+para+ler+na+%EDntegra%21