sábado, 30 de julho de 2011

Infância mais curta

Marcus Tavares, Professor e jornalista especializado em Educação e Mídia
Jornal O Dia

      Rio - Moda infanto-juvenil. O que era para ser uma coisa bem simples vem se tornando um tema polêmico. Explico: as roupas fabricadas aqui e lá fora, especialmente para as meninas, se inspiram, cada vez mais, na moda feminina adulta, carregada de sensualidade. Recentemente, algumas lojas de departamento brasileiras começaram a vender sutiãs para meninas de 10 anos com enchimento. Há necessidade?
      A publicidade também colabora. Você já deve ter visto muitas propagandas trazendo crianças e jovens vestidos como adultos. Meninos de paletó e gravata e meninas de salto alto e maquiagem. Este último item nem se fala. Batom, brilho, lápis preto e blush fazem parte de qualquer bolsinha de menina. Acredite. Bolsinha que anda para tudo o que é lugar, até mesmo para a sala de aula. Em meio à explicação da professora, lá estão as meninas se olhando no espelho e retocando a maquiagem, porque elas já vêm prontas de casa. A impressão que dá e que só não usam salto porque a escola proíbe.
      Práticas como essa só contribuem, infelizmente, para o encurtamento da infância. Talvez alguns pais digam que estou exagerando, que tudo não passa de uma brincadeira infantil. Pintar o rosto, vestir roupas de adultos, imitar o estilo dos pais faz parte da infância, do crescimento saudável de qualquer menino ou menina. Mas uma coisa é brincadeira. Outra, mais séria, é tornar a brincadeira hábito, padrão, norma.
      As crianças não têm culpa. Os pais é que deveriam prestar mais atenção nas suas ações e permissões. O mercado — de brinquedos ao vestuário — não está nem um pouco preocupado com regras, normas ou qualquer tipo de ética. Para ele, há muito tempo, as crianças são consumidoras em potencial, mesmo não tendo um real sequer no bolso. A senha para conseguir o que querem é fácil: bater o pé, gritar, exigir e chorar. Como muitos pais acham que a palavra não vai frustrar seus filhos — infelizmente boa parte dos responsáveis ainda pensa assim —, acabam cedendo. Resultado: uma infância cada vez mais curta. Por que e para quê?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Professora Amanda Gurgel se recusa a receber prêmio

Redação Carta Capital

      A professora Amanda Gurgel, que ficou conhecida após fazer um discurso na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte a respeito da situação da educação no Estado – que resultou num vídeo acessado por mais de um milhão de internautas no YouTube – recusou, no sábado 2, receber um prêmio oferecido em sua homenagem pela associação Pensamento Nacional de Bases Empresariais.
     A organização havia dedicado a ela o prêmio 2011 na categoria “educador de valor”. Em sua justificativa, a professora destacou que, “embora exista desde 1994, esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora”.
      “Esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald’s, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva. A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades”, justificou.
      Amanda Gurgel, que em seu discurso na Assembleia se queixou do salário que recebe como professora e da situação do sistema de ensino no País, disse que seus projetos são “diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE”, grupo mantido por empresários paulistas e, segundo ela, comprometida apenas com “a economia de mercado”, “à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista”.
      Entre as reivindicações da professora, manifestadas em seu site pessoal, estão a valorização do trabalho docente e a elevação para 10% da destinação do Produto Interno Bruto para a educação.
     “Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal”, escreveu ela, antes de dizer que não poderia aceitar o prêmio.


terça-feira, 26 de julho de 2011

Divisão de férias gera nova tensão entre Alckmin e professores

Paula Thomaz, Carta Capital

26 de julho de 2011 às 11:08h

      O governo do Estado de São Paulo trava mais uma queda de braço com os professores da rede pública paulista. Com o anúncio da divisão dos 30 dias de férias de janeiro em dois períodos durante o ano, o sindicato dos professores se organiza para, a partir desta semana, fazer uma campanha em protesto contra a decisão. “Vamos lutar por todos os meios pela revogação dessa medida”, avisa Maria Izabel Noronha, presidente da Associação de Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp).
      Na resolução que determina novas diretrizes para a elaboração do calendário do ano letivo, divulgada no último dia 18, os 30 dias de férias corridos que eram tirados em janeiro, passarão, em 2012 a serem dividos: 15 tirados em janeiro e 15 em julho. A ideia do governo é melhorar o planejamento anual e diz atender a reivindicações de representantes dos profissionais da educação por ocasião de visitas do secretário Herman Voorwald a alguns pólos regionais.
      Maria Izabel Noronha rebate a afirmação dizendo que esses pólos envolvem cerca de 20 mil pessoas escolhidas pela própria Secretaria de Educação do Estado (SEE). Segundo ela, a Apeoesp, que envolve diretamente 180 mil associados, “não foi procurada para dialogar antes da adoção da medida”. Ainda assim, a própria SEE reconheceu que, na reunião, houve pedidos para melhor organização de calendário e não para divisão de férias, de acordo com a presidente da entidade.
     Segundo a diretora da Apeoesp, os professores “necessitam de um período ininterrupto de férias, suficientes para que possam estar com suas famílias”. Também as escolas precisam ficar totalmente vazias por período equivalente para que possam ser realizados os trabalhos de manutenção necessários ao seu bom funcionamento.”
      Para o professor da faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Ocimar Munhoz Alavarse, está claro que nenhum governo vai pedir licença para um sindicato quando for decidir o que vai fazer, “mas o sindicato precisa ser levado em conta. Essa decisão sobre a divisão das férias retoma a má relação do governo com o professorado”, acredita. Alavarse afirma ainda que as férias não precisariam ser mudadas como forma de garantia do planejamento do começo do ano. “Esse argumento não me parece o mais pertinente. É possível você ter alterações no regime de planejamento mantendo as férias. De qualquer maneira, foi uma decisão unilateral.”
      Desde o início da administração tucana em São Paulo, os professores já entraram em conflito com o governo diversas vezes. O mais emblemático ocorreu em março do ano passado em frente ao palácio dos Bandeirantes, que terminou com dezenas de feridos entre professores e policiais. A classe entrou em greve para reivindicar reajuste salarial de 34%, incorporação imediata das gratificações e o fim das provas dos temporários e do programa de promoção. Na época, a SEE informou que não mudaria os programas criticados pelos sindicalistas, como o de Valorização ao Mérito e a criação da Escola Paulista de Professores. Para a secretaria “são esses os programas que estão permitindo melhorar a educação de São Paulo”, dizia a nota.
      Nesta terça-feira 26 ocorre uma planfletagem nas sub-sedes da Apeoesp, para ouvir a opinião dos professores sobre as férias divididas.

Comentário do blog: este é mais um exemplo das decisões unilaterais e antidemocráticas tomadas pelos nossos administradores públicos em termos de educação. Vejamos:
1) Janeiro é o famoso período de calor intenso e chuvas torrenciais que, muito mais pela inércia do poder público do que pelo fator natural em si, faz um imenso número de desabrigados, que são alojados onde??? Nas escolas.
2) Em fevereiro os professores retornam às escolas. Os alunos fazem o mesmo? Nâo. Ficamos nós nas salas de aulas com meia dúzia de alunos. O restante retorna após o carnaval.
3) O planejamento nunca deixou de ser feito, e, qualquer um sabe, não há planejamento anual feito no início do ano, pois as coisas mudam, e o professor planeja semanalmente justamente para adequar o ritmo dos conteúdos à realidade das suas turmas.

O Brasil surdo, cego, mudo

Milton Cunha, jornal O Dia

      Por enquanto, duas orelhas arrancadas: a do líder na floresta (levada pelo pistoleiro como prova do assassinato há meses atrás), e agora a orelha do pai parecido com gay (como é isso?). Já estou esperando olhos e línguas retiradas na marra. Meu Brasil brasileiro, capaz de produzir três pérolas da loucura humana moderna: “Tocamos fogo no índio Galdino porque pensamos que ele fosse um mendigo; foi brincadeira...”; “jogamos ovo nela porque ela é só uma puta de beira de avenida na Barra da Tijuca”; “batemos neles porque pensamos que eram gays”. Mais do que ódio aos gays, a desaprovação social do que pode parecer o amor. Uma sociedade que admite o primeiro lugar de assassinatos contra homossexuais terá que permitir o espancamento do abraço “aviadado”. Tudo começa quando pequenininhos ouvíamos que não era normal ser assim. Semente que vai crescendo no coração dos desajuizados (que linda palavra, Juízo) até ser frondosa árvore de vontade de arrancar pedaço da carne.
      O pai atacado faz fretes, vende sapatos, gosta de música sertaneja e tem 4 filhos adolescentes. Simples, o sujeito gosta de abraçar carinhosamente os filhos rapazes. Aperta-os contra o peito e afaga os cabelos, beijando-lhes a fronte. Um pai na grandeza da denominação, que ama, protege, ensina afeto. É quando um pé voa na feira agropecuária rumo às costas dele e o joga desacordado no chão. O homem-fera avança com a mandíbula rumo à orelha do “viado”, arrancando um pedaço de carne. “Viado, viado, viado”, gritos caninos entre baba, sangue, grama, lama, ódio. Os espancadores representam o pensamento do desamor, da condenação do afeto. Melhor espancar que amar um do mesmo sexo. A barraqueira do churrasquinho espera os agressores irem embora, a multidão vai abrindo caminho, incapaz de frear os vampiros. “Arrancaram um pedaço da sua orelha, meu Deus. Mas pra que que vocês foram se abraçar?”. Estamos todos perdidos entre perguntas do que pode e do que não pode, pois a violência retirou de nós o poder de ser aquilo que somos: humanos. Desde quando vestido curto justifica estupro? Quem disse que criança agitada tem que ser tratada com perna amarrada no pé da cama?
      Neste exercício de “pensar” (verbo que significa o oposto desta noção) a unidade está no desprezo à vida do semelhante que em algo, a nós não se assemelha. Gordo, cadeirante, imigrantes da Europa, todos merecem a dor humilhante. Como outrora negros, mulheres, judeus. Interminável lista histórica da intolerância. Mais que julgar, vamos ter que nos unir contra o desprezo ao diferente. O desvio não poderá estar na explicação.

sábado, 23 de julho de 2011

Expressões e Suas Origens

Fonte: Revista Aventuras na História.

"Lavar a Égua": a origem desse termo, usado quando alguém realiza um negócio muito vantajoso ou obtém uma vitória esportiva por contagem bastante elevada, está relacionada ao turfe. Nos tempos áureos das corridas de cavalos no Brasil, os hipódromos eram cheios de glamour, e uma grande quantidade de dinheiro circulava entre apostadores e proprietários de animais.
      Nessa época, era comum que os donos de cavalos e das éguas vitoriosos usassem champanhe, em vez de água, para banhar os animais despois das corridas. Com o tempo, a expressão passou a ser usada para se referir a momentos de glória e realização e ganhou variações. A frase "lavar a égua" pode ser ouvida nas versões "lavar a burra" e "lavar a jega".

"Botar as Barbas de Molho": usamos essa expressão quando precisamos tomar alguma cautela, ficar atentos ou prevenidos. O termo provavelmente deriva de um provérbio espanhol que diz: "Quando você vir as barbas do seu vizinho pegarem fogo, coloque as suas de molho". Em linhas gerais, a ideia sugere que, ao vermos algo de ruim acontecer com pessoas próximas, devemos nos proteger para que o problema não nos atinja. Ao colocar as barbas na água, estaremos a salvo do incêndio. A barba, durante a Antiguidade e a Idade Média, costumava ser sinônimo de honra e poder. Tê-la cortada ou raspada pelos inimigos significava, portanto, uma grande humilhação. É por isso que, desde sempre, a precaução tem sido uma boa pedida.

domingo, 17 de julho de 2011

Educação Inclusiva?

      Sou professora em uma escola que atende alunos com deficiência visual plena ou parcial, e, sinceramente, não há inclusão de fato destes alunos. Para começar, todas as salas são no segundo andar do prédio, cujo acesso é feito por escadas. Em segundo lugar, as salas são lotadas, fator que segundo os próprios alunos atrapalha muito sua compreensão da matéria. Em terceiro, a escola não conta com os recursos adequados para atender estes alunos- a impressora em braile há muito tempo está quebrada; não há livros em braile na biblioteca.
     Sendo assim, me chamou a atençção o texto de Ricardo de Azevedo que transcrevo abaixo, não só pela situação da escola onde trabalho, mas também pela situação do Educandário São José Operário que, em Campos dos Goytacazes, procura atender os portadores de deficiência visual.

Ricardo de Azevedo Soares: Educação realmente inclusiva
Fonte: Jornal O Dia

Diretor do Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio

Rio - Mais uma vez o Instituto Benjamin Constant (IBC) e o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) são ameaçados em seus funcionamentos plenos. Há ameaça real por acabar com as atividades escolares nestas duas instituições seculares. Desde a década de 60, isso acontece. Mas o momento atual é o mais crítico. Há um projeto de lei, o 8.035, o Plano Nacional de Educação, que prevê metas e diretrizes para a educação nos próximos 10 anos. E dentre as metas, a 4, desconsidera por completo a educação especializada de qualidade. Assim, está posta de modo claro e objetivo a real pretensão do governo de acabar com escolas como o IBC e o Ines.
      Declarações da diretora de Políticas de Educação Especial do MEC, Martinha Clarete Dutra, de que em 2012 não haveria mais matrículas nessas escolas fizeram com que disparasse a mobilização dos segmentos de cegos e surdos para evitar que algo fosse implementado. Os pseudodefensores da Educação Inclusiva atribuem a pecha ao IBC e ao Ines de instituições segregadoras e formadoras de guetos. Defendem que crianças com deficiência estudem como quaisquer outras ditas normais, em escolas da rede regular de ensino.
      Ora, sabemos que nossos professores, em geral, infelizmente não têm formação para a educação de crianças com deficiência. As escolas não são preparadas, via de regra, para tal atendimento. Como fazer e bem uma educação inclusiva de qualidade e de maneira responsável nessas condições?
      Se fizermos as coisas de modo irresponsável, corremos sério risco de acabarmos com gerações de pessoas com deficiência. Crianças e mais crianças não terão formação necessária para enfrentar o mercado de trabalho e ser cidadãos plenos. Ninguém em sã consciência pode ser contra a educação inclusiva, até porque entendemos que já é feita pelo Benjamin Constant há 156 anos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Expressões e Suas Origens

      Fonte: Revista Aventuras Na História



      "Cheio de Gás": alguém empolgado, entusiasmado, está "cheio de gás". Mas a origem da expressão não tem nada de positivo. Em meados do século XIX, a querosene, conhecida então como "gás", começou a substituir o óleo de coco, de mamona e outros tipos de azeite na iluminação das cidades brasileiras. Uma casa muito iluminada podia significar ostentação- seu dono estaria "cheio de gás". Segundo o folclorista Luis da Câmara Cascudo, o termo remetia a presunção e arrogância, a alguém "bancando o importante", escreveu o autor em Locuções Tradicionais no Brasil. Com o tempo, a expressão perdeu seu caráter negativo e passou a indicar energia, animação.

      Pé-Rapado: a expressão usada para indicar um sujeito sem dinheiro tem a ver com o ato de raspar no chão a sola do pé sujo, gesto de quem anda descalço. No século XVII, em poesia feita para Anica, mulata de quem gostava e que lhe pedia dinheiro para comprar sapatos, o poeta Gregório de Mattos escreve: "Se tens o cruzado, Anica/ manda tirar os sapatos/ e se não, lembre-te o tempo/ que andaste de pé rapado." No século XVIII, o termo era muito usado pela aristocracia. Segundo o pesquisador Deonísio da Silva, no livro De Onde Vêm as Palavras II, pés-rapados eram os trabalhadores das lavouras e das minas. Mas, por um momento, nem os ricos se livraram da pecha. Na Guerra dos Mascates (1710- 1711), os portugueses chamavam os aristocratas rurais de Pernambuco de pés-rapados por combaterem sem botas.

Perguntar Não Ofende...

    




  Sou funcionária da prefeitura de campos. Quando fazemos nosso recadastramento temos que, dentre outras informações, fornecer nosso endereço de email. Pois bem, depois que fiz meu recadastramento, comecei a receber emails do sr. deputado Antony Garotinho. E, assim como eu, outros profissionais da prefeitura. Será que uma coisa tem a ver com a outra? E, se tiver, isto é legal?

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A saúde dos escargots (Jornal O Dia)

Pedro de Jesus, Presidente do Conselho Regional de Enfermagem

      Rio - É provável que o governador Sérgio Cabral nunca tenha ouvido falar do psicólogo americano Abraham Maslow, que criou a teoria da hierarquia de necessidades. Segundo Maslow, as necessidades de nível mais baixo sempre devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Daí, surgiu a Pirâmide de Maslow, que tem como base as necessidades físicas, fisiológicas e, no topo, a necessidade de autorrealização.
      Se tirarmos a base do indivíduo, ele não tem condições de sobrevivência. Pois eis que o governador acaba de despejar uma unidade de suma importância para a saúde pública para instalar uma escola de... gastronomia francesa. Trata-se da Escola Técnica Enfermeira Isabel dos Santos, dedicada à capacitação de profissionais de saúde para o SUS. A sede, que ficava na Rua da Passagem, em Botafogo, foi cedida ao Cordon Bleu.
      O que mais entristece é a justificativa: treinar profissionais de gastronomia para Copa e Olimpíada. Será que ter gente especializada em cozinha francesa é realmente mais emergencial e necessário do que pessoal treinado para atender pacientes? Creio que não. Estamos falando de uma escola que tem a mesma idade do SUS: 22 anos. Foi criada em 1º de novembro de 1989, e no ano seguinte ainda recebeu o nome de uma sanitarista — Enfermeira Izabel dos Santos — que tem importância essencial para o ensino público de saúde. E esta escola não para de inovar em projetos de formação.
      E o mais incrível é que recursos previstos no Projeto de Fortalecimento e Modernização da Escola, da ordem de R$ 500 mil, não puderam ser executados devido à “impossibilidade de comprovar a propriedade do terreno como um bem público”.
     Ora, se os recursos estavam bloqueados por causa disto, o que aconteceu, que, de repente o impedimento legal desaparece? Fica a pergunta: a democratização da gastronomia francesa chegará antes da democratização do direito a saúde e a educação profissional de nível técnico? O que está na base da pirâmide social de necessidades? Saúde para a população ou escargots?

Expressões e Suas Origens.

Fonte: Revista Aventuras na História


      "Voltar à Vaca Fria": tudo começou na peça francesa "A Farsa do Advogado Pathelin", do século XV. A trama, de autor desconhecido, se desenvolve com um advogado chamado Pathelin, que defendia um pastor processado por comer carneiros de seu senhor. Em uma de suas cenas, o juiz chama a atenção do advogado para que pare com divagações infrutíferas e retorne ao assunto principal. Nesse momento, diz: "Revenons à nos moutons" ("Voltemos aos nossos carneiros"). Quando a peça foi traduzida para o português, segundo Ari Riboldi, no livro O Bode Expiatório, o carneiro virou vaca em referência a um  prato servido em mesas lusitanas: a "vaca fria".

      "Sopa no Mel": é o bom no melhor, uma oportunidade feliz, uma chance maravilhosa. Hoje pode parecer bastante estranho colocar mel na sopa (ou vice-versa), mas, no Portugal do século XVII, quando a expressão ganhou forma, "sopa" não era o prato que conhecemos hoje, e sim uma fatia de pão mergulhada em um caldo de carnes e legumes, segundo o folclorista Luís da Câmara Cascudo, em Locuções Tradicionais no Brasil. Era um alimento muito básico, e não poderia haver luxo maior do que adicionar a ele um pouco de mel.

sábado, 9 de julho de 2011

Divulgação

Atenção
      Em Julho estará em Campos Ivaldo Bertazzo da Cia. TeatroDança Ivaldo Bertazzo com o espetáculo Corpo Vivo – Carrossel das Espécies no teatro Trianon e com um workshop gratuito. Campos dos Goytacazes
      Dias 16 e 17 de julho de 2011Sábado às 20h, e domingo às 19h
      Entrada franca (retirada de convites do espetáculo na bilheteria 1h antes de cada sessão, mediante lista de confirmação).
      Local: Rua Marechal Floriano, 211 - Centro Informações: (22) 2726-3500
      Workshop e lançamento do livro Corpo Vivo - Reeducação do movimento com Ivaldo Bertazzo
      Dia 17 de julho, domingo das 10h às 13h

Inscrições somente no site www.ivaldobertazzo.com
Após o workshop haverá o lançamento do livro Corpo Vivo - Reeducação do movimento.

As inscrições devem ser feitas no site: http://ivaldobertazzo.com.br/ficha-workshops/.

Sobre Ivaldo Bertazzo

      O trabalho do professor Ivaldo Bertazzo, que estuda o corpo humano há 35 anos, vai além do espetáculo: difunde não só um método próprio de Reeducação do Movimento, como também oferece aos seus 18 bailarinos, jovens de periferia, a oportunidade de expressão e, ainda, aos profissionais de áreas multidisciplinares (fisioterapia, fonoaudiologia, educação física, psicologia etc.) e leigos, uma nova possibilidade de aprendizagem com workshops e oficinas. O projeto educacional de Bertazzo, iniciado com jovens da Favela da Maré, em 1999, inclui ainda o lançamento do livro, Corpo Vivo – Reeducação do movimento (o primeiro de uma série de três, das Edições SESC-SP).
      As Leis de Incentivo à Cultura e o apoio da iniciativa privada têm sido de vital importância para a difusão do trabalho da Cia. TeatroDança Ivaldo Bertazzo, que originariamente surgiu com o Projeto Dança Comunidade, em parceria com o SESC-SP, patrocinado pela Petrobras e pelo Instituto Votorantim a partir de 2003, e da manutenção e profissionalização desses mesmos jovens no mercado de trabalho.
      A crença em um mundo melhor não reside na utopia e sim num empenho cotidiano desse educador que teima em reeducar corpos, quer sejam eles de bailarinos ou pessoas comuns. Esse tem sido o grande desafio de Bertazzo que, como artista e professor, já emocionou multidões do Brasil e de outros países com espetáculos como Samwaad, Milágrimas, Mar de Gente e Noé Noé deu a louca no convés.

Sobre o espetáculo Corpo Vivo

      Que espécie de animal é você? Homem, quadrúpede, pássaro? O que fazer quando a mente conquista beleza e liberdade e o corpo envelhece? Imagine se o homem tivesse a capacidade de regeneração dos répteis, que abandonam toda a pele e desenvolvem outra no lugar. Se pudesse andar pelas paredes e tetos, desafiando a lei da gravidade e mudar a cor da nossa pele de maneira camaleônica. E se continuasse a respirar debaixo d'água, mesmo depois de rompido o cordão umbilical? Como seria o mundo se o homem voasse? E se tivesse uma visão de coruja, o radar do tubarão, a velocidade de um lince e a força de um touro?
      Perguntas como essas permeiam o espetáculo interativo de Ivaldo Bertazzo,
      Corpo Vivo – Carrossel das espécies. De maneira lúdica e bem humorada Corpo Vivo traz para o palco uma das principais reflexões do homem: a preservação e a degeneração do corpo. Com roteiro de Marília Toledo, assistência de direção de Suzana Mafra e iluminação de Wagner Freire, o espetáculo pretende representar a evolução da espécie humana, comparando-a com a dos répteis, pássaros, peixes e quadrúpedes, por meio da dança, da música e de textos que percorrerão o teatro-dança. O ator Rubens Caribé dá vida à história de um monge que dedica a existência não apenas à filosofia, mas também a estudos sobre a anatomia de diversas espécies, com o objetivo de encontrar a perfeição. Em cena, os encontros possíveis desse monge e de outros personagens, como um maestro que dirige um coral de bichos, um professor de organização dos músculos da face com os animais que ele pesquisa, num embate de atração e inveja em relação as suas características.
      A mezzo soprano Regina Elena Mesquita também dá voz a uma mãe, uma égua e uma camareira, num repertório musical insólito, que mescla Nino Rota, uma canção iídiche, The Carpenters e canções regionais brasileiras.
      O espetáculo tem momentos de interatividade para que o público se dê conta da importância do corpo como o instrumento de todas as ações cotidianas, que passam despercebidas, mas que são vitais ao ser humano. A respiração, o ato de piscar, a deglutição, são ações mecânicas e involuntárias que nem passam pelo nosso pensamento no dia a dia. Mas se algo der errado com uma dessas ações, o corpo para.
      “Quando fazemos a representação dos animais, falamos das múltiplas habilidades motoras, o pássaro e sua flutuação, o peixe, com a perfeita articulação entre a cauda e a cabeça e, o homem, com a capacidade de dormir em pé, por exemplo, e outras características que o diferenciam das demais espécies: a imaginação, sedução, a melhor pele, que permite que ele pinte, toque piano... O homem paga um preço pela sua excessiva verticalidade. Queremos aproximar o público de sua psicomotricidade, do funcionamento de seu próprio corpo já que os aspectos mecânicos e motores são as ferramentas de integridade e preservação do corpo humano. É inevitável que o corpo envelheça e a mente fique mais refinada. Como preservar a unidade?”, questiona Bertazzo.

Não perca essa oportunidade!
Fabiano Domingues

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vamos Refletir...

      Salários do Estado do Rio de Janeiro:
  • BOPE: R$ 2.260,00 para arriscar a vida;
  • BOMBEIROS: R$ 960,00 para salvar vidas;
  • PROFESSOR: R$ 728,00 para preparar para a vida;
  • MÉDICOS: R$ 1.260,00 para manter vidas;
  • GOVERNADOR: R$ 17.000,00 para administrar o Estado.
      O erro foi quando os políticos passaram a ser considerados mais importantes do que os cidadãos, ou como já disse um político há algum tempo atrás, cidadãos de primeira classe.
      Outro erro foi quando inverteram a lógica da administração pública e do sistema representativo, estabelecendo que o cidadão tem que servir ao Estado, quando o correto é justamente o contrário.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Manifestação na Praça do Santíssimo Salvador

      Hoje os profissionais da área de educação do município de Campos dos Goytacazes fizeram uma paralização de 24 horas, e uma manifestação na principal praça da cidade.
      O movimento ocorreu devido, dentre outras coisas, ao decreto assinado pela prefeita do município, Rosinha Garotinho, restringindo direitos dos profissionais, inclusive limitações do direito à licença médica.
      As outras reivindicações foram referentes ao pagamento do FUNDEB aos profissionais, assim como melhores condições de trabalho, eleições diretas para diretores de escolas, convocação dos profissionais aprovados no último concurso público para ocupar vagas que estão preenchidas por terceirizados.




sexta-feira, 1 de julho de 2011

Reverenciando Renato Russo*

      Rio, Jornal O Dia - Dia desses eu li que foram feitas mais de 75 mil leis nos últimos dez anos, ou seja, uma média de quase 7 mil por ano, ou ainda, 18 por dia. Tanta lei, tanto tempo perdido, tanto dinheiro gasto, o meu, o seu e dos outros brasileiros jogados no lixo, porque, afinal, quase a totalidade delas não funciona. E continua valendo a máxima popular: a Lei só vale pros pobres. Que país é esse?
      As nossas Leis não punem com rigor e por isso não intimidam. E quem tem dinheiro pode pagar um bom advogado para recorrer de todas as decisões contrárias da Justiça enquanto o crime vai prescrevendo. O sujeito é responsabilizado pela morte de outras pessoas num acidente de trânsito, porque estava dirigindo alcoolizado e é condenado apenas a uns poucos anos em regime semi-aberto por crime culposo, aquele sem intenção de matar. Mas os recursos protelam a execução da sentença e ele acaba livre. Que país é esse?
      O assassino é preso por ter matado 20 pessoas. É condenado a 600 anos de prisão, mas aqui só pode cumprir 30. Que país é esse? Não é a toa que o destino dos bandidos de outros países é o Brasil. Aqui encontram acolhida e andam em liberdade com os mesmos privilégios de nós brasileiros. Que país é esse?
      O sujeito mata e depois fica comportadinho na cadeia, cumpre um sexto da pena para voltar a ter os mesmos direitos de quem nunca passou na porta de uma delegacia. Que país é esse? E a gente assiste a toda hora um Juiz mandar prender e o outro soltar. Respeitando as Leis, claro! As Leis? Que país é esse?
      E o tal “crime do colarinho branco”? É aquele em que o “graúdo” dá um golpe. Aliás, o respeitável cidadão de elevada situação sócio-econômica comete um ato delituoso. Dito assim fica mais bonito. Geralmente não tem violência, apenas a execução de um plano bem estruturado pra botar muito dinheiro no bolso. Esses “cidadãos” são presos, algemados e levados pra um distrito onde ficam em cela especial com direito a tudo. O pior é que em um ou dois dias um tal “habeas corpus” os coloca na rua para responder em liberdade. Que país é esse?
      O Supremo Tribunal Federal, instância maior da nossa Justiça, poder de guarda e interpretação da nossa Constituição, entendeu que a união estável entre homoafetivos é legal, mas um Juiz de uma instância lá de baixo achou que não e determinou a cassação dos registros já feitos. Aí outro Juiz mandou restabelecer a decisão do STF. Que Leis são essas? Que país é esse?
      Enfim, são tantas Leis que as discordâncias e as interpretações entopem os tribunais. Os criminosos ricos ficam soltos e os pobres abarrotam as cadeias. E o direito de ir e vir, de falar e ouvir, de ser e não ser ainda depende das interpretações do STF. Que país é esse? E o Estado é laico como está escrito na Constituição? É, está vindo por aí uma discussão que vai tomar muito tempo no STF e, com certeza, qualquer que seja o entendimento, vai deixar muitos descontentes. Se houvesse poucas Leis e fossem claras... Que país é esse?

*Paulo Stein é jornalista e locutor esportivo