domingo, 10 de novembro de 2013

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Complementando a postagem abaixo...

Projeto de lei pede punição a aluno que desrespeitar professor

Em caso de descumprimento, estudante pode ser encaminhado ao judiciário. Medida divide educadores

IG
São Paulo - Um projeto que está sendo analisado na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados inclui no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) um artigo que obriga os alunos a observarem os códigos de ética e conduta da escola onde estão matriculados e “respeitar a autoridade intelectual e moral de seus docentes”.
Em caso de descumprimento, os alunos nessa faixa etária estarão sujeitos à suspensão e, “na hipótese de reincidência grave, ao seu encaminhamento a autoridade judiciária competente”, conforme diz o texto do dispositivo.
“Visitei quase 200 municípios do meu Estado e percebi, conversando com os pais e com a comunidade escolar, que é preciso fazer alguma coisa para coibir a violência”, explica a deputada Cida Borghetti (PP-PR), autora do projeto de lei 267/11. “Os professores me relatam que são agredidos moral, intelectual e fisicamente.”
Cida explica que a palavra punição não consta em seu projeto de lei. “A palavra correta é responsabilização. Este adolescente precisa ser responsabilizado. A única maneira de resgatar esse aluno é não passar a mão em sua cabeça”, argumenta.
No texto do projeto, a parlamentar diz que os episódios de violência na escola “trata-se de comportamento decrépito, inaceitável e insustentável, que deve ser prontamente erradicado da vida escolar com a adoção de medidas próprias.”
Questionada sobre as medidas judiciais a serem tomadas, a deputada diz que isso caberá ao juiz. “Ele é quem decidirá se encaminha para um atendimento psicológico ou se é o caso de uma decisão mais rígida. Só não podemos continuar convivendo nesse cenário.”
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, já foi aprovada na Comissão de Seguridade Social e Família e está atualmente na Comissão de Educação, onde já recebeu parecer favorável da relatora. Em seguida, vai ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. De lá, segue para votação no Senado Federal.
A proposta foi tema de audiência pública na terça (29/10), com a participação de diversos setores ligados à educação. E, segundo informações da Agência Câmara, a ideia do projeto dividiu especialistas.
Para alguns, alterar o ECA não vai resolver o problema. A solução para a violência dentro da escola dependeria do fortalecimento do sistema educacional, com a valorização dos profissionais da educação e com a adoção de uma gestão democrática.
Os favoráveis defendemque as escolas precisam de respaldo legal para poder controlar a ação violenta de alunos.
As informações são de Ocimara Balmant

Fernando Leite & Outros Quintais: AS ESCOLAS QUE DESEDUCAM

Fernando Leite & Outros Quintais: AS ESCOLAS QUE DESEDUCAM: Os modelos educacionais, com raríssimas exceções, têm formado, gerações de analfabetos funcionais, verdadeiros párias. E isso é geral. Quand...

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Índices da Imbecilidade Humana

    Essa semana três assuntos aparentemente não correlatos me chamaram a atenção. Vejamos:
* Justin Bieber veio ao Brasil "cantar" para seus fãs, muitos deles em uma espera de meses na fila (esses adolescentes não estudam?). Andou com prostitutas, pichou, chamou repórteres para briga. Não sei se em outros países o talzinho comporta-se dessa forma, mas aqui no Brasil ele sentiu-se a vontade para agir com tanta falta de urbanidade.
* Políticos, em um rasgo de sinceridade, teceram suas infelizes considerações sobre os mendigos. Comida de peixe ( uma sobrevivência infeliz da ditadura), eis o único destino digno para esses seres humanos que não são nada, em um país no qual todos os seus habitantes, com exceção dos políticos, são considerados cidadãos de segunda classe, e há legislação severa em defesa dos animais.
* Na revista Superinteressante dessa semana foi publicada uma matéria dando conta do verdadeiro ódio que vem sendo gerado, nos últimos anos, em relação às pessoas obesas. Mais uma forma de agressão entre seres humanos que são peritos em gerá-las e gerí-las, assim como o racismo, a exclusão de deficientes físicos e mentais, o proselitismo religioso. Armas de quem é frágil demais para lidar com as diferenças, e tapado demais para pensar de maneira autônoma em relação aos meios de comunicação e aos interesses das muitas indústrias que lucram com as neuras humanas.
    É extremamente angustiante perceber que os tempos atuais são realmente os "tempos líquidos" de Baumann, nos quais o ser humano não tem mais estofo intelectual e moral para pensar por si só, analisando e criticando a realidade de forma a retalhá-la e construir um mundo mental e relacional saudável. A sociedade está doente porque o indivíduo tornou-se acomodado e preguiçoso, buscando sempre o caminho mais cômodo e fácil, mas nem por isso o mais suave: abrir mão da independência do pensamento e da construção do seu próprio  mundo. As pontes ruíram...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Geografando o 6: A Capacidade de Cada Um

Geografando o 6: A Capacidade de Cada Um: Eis dois vídeos que mostram a importância do professor para a sociedade e sua formação: a campanha do governo federal e, mais significativa...

Blog do Cláudio Andrade: Vídeo com voz atribuída à secretária de educação c...

Blog do Cláudio Andrade: Vídeo com voz atribuída à secretária de educação c...: "Os profissionais da educação de Campos estão revoltados com a publicação de um vídeo na internet onde eles são chamados de idiotas....

A difícil arte de ser ateu

Blog da REA

MARCELO GRUMAN*
Quando meu avô materno morreu, em 2000, eu, sentado no sofá de sua casa, tentando assimilar a perda de alguém que eu admirava muitíssimo e que deixava um vazio na minha vida, ouvi de uma vizinha, cuja intenção era consolar-me, uma frase curta do tipo “Deus quis assim” ou “ele foi pra um lugar melhor”. Tempos depois, conversando com um rabino ortodoxo na época em que realizava trabalho de campo para minha dissertação de mestrado, quase fui fazer companhia a meu avô, naquele “lugar melhor”, ao ouvir que o assassinato dos judeus pelos nazistas, incluindo bebês recém-nascidos, era fruto de pecados neste ou noutro mundo. E Deus puniu a todos, perdoar pra quê, escreveu não leu, o pau comeu. Em ambos os casos, por culpa da educação recebida em casa, não respondi à altura os insultos.
Num pequeno texto, intitulado Abraão e Isaque, Luis Fernando Veríssimo imagina um diálogo entre pai e filho, em que o filho, magoado, questiona a submissão do pai e sua disposição de imolá-lo porque alguém ou algo mandou que assim procedesse. Um trecho do diálogo segue assim:
- O fio do cutelo encostou na minha garganta.
- Mas eu não o matei!
- Porque Deus não deixou. Porque Deus mudou de ideia.
- Meu filho…
- Eu sei. Faz muito tempo. É melhor esquecer. Vou conseguir sobreviver às minhas memórias e aos meus pesadelos. Como você sobreviveu ao que sabe.
- O que eu sei?
- Que deve tudo que tem, seu poder e sua glória, a um Deus volúvel. A um Deus incerto do que faz. A um Deus que volta atrás. A um Deus inconfiável.
- Ele estava me testando.
- Então é pior. Um Deus frívolo e cruel.
Frívolo, cruel e, acrescento eu, sádico. Por outro lado, a atitude do pai desnaturado é perfeitamente aceitável se admitirmos que o outro lado da moeda seja a proteção contra o Mal, o conforto de saber que o destino já está traçado, que não se tem responsabilidade sobre ele por mais que o discurso religioso confira ao livre arbítrio um status positivo. A onisciência e a onipotência divina, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, foi magistralmente transposta para o plano humano por Woody Allen, naquela cena antológica em que a mãe judia (quem mais?) aparece como um fantasma sobrevoando a cidade de Nova Iorque. Quem não se lembra do susto, medo, alegria e alívio do personagem que vê sua mãe desaparecer no meio de um show de mágica?
A alternativa ao outro mundo é dolorosa. Romeu e Julieta representam bem a transformação de uma sociedade até então construída única e exclusivamente sobre a Tradição, sobre a reprodução de papéis sociais, onde o presente reproduz o passado e antecipa o futuro. A Tradição significa, tomando emprestado de Sartre uma expressão usada para caracterizar o pensamento racista, “a constância da pedra”, é a imutabilidade, é a chatice em estado puro porque não abre espaço para o livre pensar, para o questionamento.
A tragédia dos Montecchio e Capuleto fala de um momento em que o indivíduo enquanto valor, não apenas corpo com fronteiras físicas bem definidas, passa a dar as cartas, a construir sua história, é quando podemos começar a falar de projeto de vida, de biografia, de construção de identidades. Na realidade, a própria noção de identidade só faz sentido na Modernidade, porque diz respeito à forma como nos vemos e queremos ser vistos pelos outros, e esta definição acontece no processo de interação, não é dada a priori. Aqui, sim, podemos falar de livre arbítrio e das consequências de nossos atos, boas ou más, cuja punição acontece de forma mais pungente na nossa cabeça (tirando, claro, crimes passíveis de punição pelo sistema judiciário).
A Modernidade significa a “psicologização” da vida, a crescente angústia pela indeterminação do dia de amanhã, desde questões triviais como a necessidade de escolhermos o que comer no café da manhã e que roupa vestir para ir ao trabalho até decisões um pouco mais importantes, como a escolha da pessoa com quem se quer dividir o mesmo teto, decisão angustiante ainda que a escolha, condizente com os tempos modernos, não seja inevitavelmente definitiva apesar dos votos recitados ad nauseam na troca das alianças. A escolha do parceiro também é diária, e a eventual separação não é isenta de sofrimento.
A Modernidade abriu espaço e legitimou a existência daqueles que não acreditam na existência de um ser, entidade ou força superior independente de nossa vontade. Ela permitiu que Nietzsche, apesar de não fazer a apologia do ateísmo, chegasse à conclusão de que “Deus está morto”, como observamos nesta passagem de A Gaia Ciência:
Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu ato mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste ato, de uma história superior a toda a história até hoje!
Abriu espaço aos ateus. Ser ateu no Brasil não é fácil, a declaração provoca reações que vão do espanto ao medo, passando pela incredulidade (crentes incrédulos?) como se o interlocutor fosse dotado de rabo e chifres (talvez seja…), um fruto exótico ou podre, uma anormalidade pensante. Ser ateu no Brasil significa ser parte de 0,4% da população, segundo os últimos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Talvez seja possível reivindicar cotas, sob o manto da intolerância, da perseguição, do bullying.
Os ateus sofrem bullying cotidianamente ao ligarem a TV aberta, concessão estatal, e se depararem, dependendo da hora do dia, com pregações religiosas em metade dos canais disponíveis; quando, num final de domingo melancólico, são obrigados a ouvir, de dentro de suas casas, os cantos e orações da igreja que fica bem longe, mas dotada de potentes alto-falantes; quando são obrigados a ouvir de um interlocutor que o parceiro teve de acabar com o relacionamento porque, sendo o interlocutor de outra religião, estaria fadado a viver em companhia do Coisa Ruim; quando veem grupos obscurantistas e intolerantes tomando de assalto o Congresso Nacional; quando tem cerceado seu direito constitucional de ir e vir, por conta de eventos religiosos propositadamente mal planejados com o intuito de “dar mídia”.
Devo confessar que invejo aqueles que creem, que tem em quê se apegar nos momentos difíceis, nunca estão sós. Quero ter fé, mas não consigo. Serei um caso perdido? Talvez parte da humanidade tenha substituído Deus pelos psicanalistas, talvez os psicanalistas sejam os deuses modernos, trocaríamos seis por meia dúzia e não aliviaríamos nossas angústias, nosso mal-estar.
Pensando bem, é preferível uma relação em que uma das partes possa ser demitida, com a qual temos uma relação afetiva, sim, mas, principalmente, pecuniária, do que uma relação em que uma das partes tem o direito de vida e morte sobre a outra. O difícil vai ser explicar pro meu filho que, depois daqui, voltamos ao pó.

* MARCELO GRUMAN é Doutor em Antropologia Social pelo PPGAS/MN/UFRJ, Antropólogo e Especialista em Gestão de Políticas Públicas de Cultura.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O legado que o papa Francisco nos deixou

Leobardo Boff
Jornal do Brasil

Não é fácil em poucas palavras resumir os pontos relevantes das intervenções do papa Francisco no Brasil. Enfatizo alguns com o risco de omitir outros importantes. O legado maior foi a figura do papa Francisco: um humilde servidor da fé, despojado de todo aparato, tocando e deixando-se tocar, falando a linguagem dos jovens e as verdades com sinceridade. Representou o mais nobre dos líderes, o líder servidor que não faz referência a si mesmo mas aos outros com carinho e cuidado, evocando esperança e confiança no futuro. 
No campo político encontrou um país conturbado pelas multitudinárias manifestações dos jovens. Defendeu sua utopia e o direito de serem ouvidos. Apresentou uma visão humanística na política, na economia e na erradicação da pobreza. Criticou duramente um sistema financeiro que descarta os dois polos: os idosos, porque não produzem, e os jovens não criando-lhes postos de trabalho. Os idosos deixam de repassar sua experiência, e os jovens são privados de construir o futuro. Uma sociedade assim pode desabar.
O tema da ética era recorrente, fundada na dignidade transcendente da pessoa. Com referência à democracia cunhou a expressão “humildade social”, que é falar olho a olho, entre iguais, e não de cima para baixo. Entre a indiferença egoista e o protesto violento apontou uma opção sempre possível: o diálogo construtivo. Três categorias sempre voltavam: o diálogo como mediação para os conflitos, a proximidade para com as pessoas para além de todas as burocracias e a cultura do encontro. Todos têm algo a dar e algo a receber. “Hoje ou se aposta na cultura do encontro ou todos perdem”.
No campo religioso foi mais fecundo e direto. Reconheceu que ”jovens perderam a fé na Igreja e até mesmo em Deus pela incoerência de cristãos e de ministros do evangelho”. O discurso mais severo reservou-o para os bispos e cardeais latino-americanos (Celam). Reconheceu que a Igreja, e ele mesmo se incluíu, está atrasada em suas formas de presença no mundo. Conclamou não apenas a abrir as portas para todos mas a saírem em direção do mundo e para as “periferias existenciais”. Criticou a “psicologia principesca” de membros da hierarquia. Eles têm que ser pobres interior e exteriormente. Dois eixos devem estruturar a pastoral: a proximidade do povo, para além das preocupações organizativas, e o encontro marcado de carinho e ternura. Fala até da necessária “revolução da ternura”, coisa que ele mostrou viver pessoalmente. Entende a Igreja como mãe que abraça, acaricia e beija. Essa atitude materna os pastores devem cultivar para com os fiéis. A Igreja não pode ser controladora e administradora mas servidora e facilitadora. Enfaticamente, afirma que a posição do pastor não é a posição do centro mas a das periferias. Deu centralidade aos leigos para junto com os pastores decidirem os caminhos da comunidade.
O diálogo com o mundo moderno e a diversidade religiosa: o papa Francisco não mostrou nenhum medo face ao mundo moderno; quer trocar e inserir-se num profundo sentido de solidariedade para com os privados de comida e de educação. Todas as confissões devem trabalhar juntas em favor das vítimas. Pouco importa se o atendimento é feito por um cristão, um judeu, um muçulmano ou outro. O decisivo é que o pobre tenha acesso à comida e à educação. Nenhuma confissão pode  dormir tranquila enquanto os deserdados deste mundo estiverem gritando. Aqui vige um ecumenismo de missão, todos juntos, a serviço dos outros.
Aos jovens dedicou palavras de entusiasmo e de esperança. Contra uma cultura do consumismo e da desumanização convocou-os a serem “revolucionários” e  “rebeldes”. É pela janela dos jovens que entra o futuro. Criticou o restauracionismo de alguns grupos e o utopismo de outros. Colocou o acento no hoje: ”no hoje se joga a vida eterna”. Sempre os desafiou para o entusiasmo, para a criatividade e para irem pelo mundo espalhando a mensagem generosa e humanitária de Jesus, o Deus que realizou a proximidade e marcou encontro com os seres humanos.
Na celebração final havia mais de três milhões de pessoas, alegres, festivas e na mais absoluta ordem. Desceu um aura de bem-querença, de paz e de felicidade sobre o Rio de Janeiro e sobre o Brasil, que só podia ser a irradiação do terno e fraterno  papa Francisco e do Sentimento Divino que ele soube transmitir.
* Leonardo Boff escreveu 'Francisco de Assis e Francisco de Roma: Uma nova primavera na Igreja?' (Editora Mar de Ideias, Rio, 2013).