domingo, 12 de agosto de 2012

Frei Betto: Busca da felicidade

O Dia


Rio -  Um grupo de amigos conversava sobre o maior bem que um ser humano pode obter e todos buscam, até mesmo ao praticarem o mal: a felicidade. O que é uma pessoa feliz? O que faz alguém feliz? “Como se observa — ponderou um dos amigos —, há quem considere a felicidade um estado de espírito e quem a atribua à posse de algo — poder, riqueza, saúde, bem-estar.

Concordamos que, na sociedade neoliberal em que vivemos, o ideal de felicidade está centrado no consumismo. O que não significa que, de fato, ela resulte da posse de bens materiais ou da soma de prazeres.

Um dos amigos observou que o Cristianismo, frente ao sofrimento humano, foi sábio ao deslocar a completa felicidade da Terra para o Céu, embora admitindo que aqui nesta vida se possa ter momentos de felicidade. Outro observou que o Céu cristão é apenas uma metáfora da plenitude amorosa. E que Deus é amor e não há nada melhor do que amar e sentir-se amado.

Foi então que o mais velho entre nós ponderou: “O que faz uma pessoa feliz não é a posse de um bem ou uma vida confortável. É sobretudo o projeto de vida que ela assume.” Todo projeto — conjugal, profissional, artístico, científico, político, religioso — supõe uma trajetória cheia de dificuldades e desafios. Mas é apaixonante. E é a paixão ou, se quiserem, o amor, que adensa a nossa subjetividade. E todo projeto supõe vínculos comunitários. Se o sonho é pessoal, o projeto é coletivo.

Demos razão a ele. Viver por um projeto, uma causa, uma missão, um ideal ou mesmo uma utopia, é o que imprime sentido à vida. E uma vida plena de sentido é, ainda que afetada por dores e sofrimentos, o que nos imprime felicidade.

Frei Betto é escritor, autor do romance ‘Minas do ouro’

Descobertas 17 novas espécies de aranha na Mata Atlântica

Jornal do Brasil


Pesquisadores do Laboratório Especial de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan descobriram 17 novas espécies de aranhas na Mata Atlântica brasileira. Há seis anos, trabalhando no projeto internacional, que envolve outros 20 pesquisadores no mundo inteiro, o estudo abrange aranhas da família Oonopidae e catalogou em todo o planeta 1.016 exemplares dessa espécie.
O biólogo e pesquisador do Laboratório Especial de Coleções Zoológicas, Antonio Brescovit, explicou que no início do projeto eram conhecidas 300 aranhas da espécie. “Esse grupo foi um dos mais interessantes que achamos porque ele tem o aspecto totalmente diferente dos bichos que nós conhecíamos aqui. A face dela é modificada e lembra a do ser do filme O Predador, motivo pelo qual o nome dado ao gênero foi Predatoroonops”. As 17 espécies tem nomes de coisas ou personagens relacionados ao filme, que completa 25 anos este ano.
As aranhas têm de 1,8 a 2,10 milímetros. Brescovit ressaltou que a descoberta é importante para o conhecimento da biodiversidade global dessa família e que também existe na Mata Atlântica. “São animais pequenos, a grande maioria de solo e copa de árvores e não se conhece nada desse tipo de fauna. Talvez no futuro possa-se estudar mais e conseguir algum produto desses animais”, disse.  
O trabalho foi interrompido quando um incêndio atingiu, em 2010, o setor de coleções do Butantan, destruindo boa parte dos 77 mil exemplares de serpentes e 450 mil de aranhas e escorpiões.

URGENTE PEDIDO DE SANGUE PARA LULA FERREIRA

Fonte: blog Fernando Leite


URGENTE!!!!!! O músico "LULA FERREIRA" sofreu um acidente de transito hoje e encontra-se internado no Hospital Ferreira Machado. OS AMIGOS QUE PUDEREM DOAR SANGUE DE QUALQUER TIPO SANGUÍNEO, DIRIJAM-SE AO HEMOCENTRO DO FERREIRA MACHADO ENTRE 08:00h E 17:00h QUALQUER DIA DA SEMANA e doem sangue em nome de ALDENIR PEREIRA FERREIRA (nome de Lula).

Segundo informações, ele acordou e está na UTI, seu estado requer cuidados especiais devido à transfusão.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Crítico britânico detona Paulo Coelho após provocação a ‘Ulysses’, de James Joyce

Carta Capital




“Os autores hoje querem impressionar seus pares. Um dos livros que fez esse mal à humanidade foi ‘Ulysses’ [clássico do irlandês James Joyce], que é só estilo. Não tem nada ali. Se você disseca ‘Ulysses’, dá um tuíte”. Muitos críticos literários e editores de livro tomaram sal de fruta para digerir essa frase do escritor brasileiro Paulo Coelho, dita à Folha de S. Paulo no sábado 4, sobre uma das obras clássicas da literatura mundial. Mas nenhum deles foi mais voraz que Stuart Kelly, crítico de literatura do Guardian, jornal e portal de notícias de Londres.
Kelly abre seu artigo no blog de literatura do site usando uma frase do escritor e pensador inglês Samuel Johnson, que respondia a um crítico no século XVIII: “Uma mosca pode picar um cavalo, mas o cavalo continua a ser um cavalo, e a mosca não mais que uma mosca.” E inicia uma ferina argumentação contra a frase e a carreira de Paulo Coelho, cujo verdadeiro insulto, segundo o crítico, “é sua crença de que devemos ceder a suas limitações” artísticas.
“Coelho está, claro, autorizado a emitir sua opinião burra, assim como eu estou autorizado a achar o trabalhar de Coelho um nauseabundo caldo de egomania e falso misticismo com o intelecto, empatia e destreza verbal do camembert vencido que ontem joguei fora.”
O crítico do lembra que Paulo Coelho não é o primeiro a dizer que James Joyce “escreve para outros escritores, não para leitores”,  diz que “sempre que um ataque reacionário surge na literatura contemporânea, um tiro em Joyce é necessário” e rechaça: só alguém que faça uma leitura superficial em ‘Ulysses’ poderia dizer a obra “é só estilo”‘.
“Coelho se gaba de ser “moderno” porque ele consegue ‘fazer o difícil parecer fácil’, diz. E conclui seu tijolaço no escritor brasileiro dizendo que qualquer coisa que aspire tornar o mundo e as pessoas menos complexos, menos paradoxais, menos variados comete uma pequena calúnia com a realidade.
O escritor brasileiro não gostou muito da crítica e demonstrou isso em seu perfil no Twitter. Passou a primeira metade do dia tentando argumentar contra a matéria do Guardian e a retuitar quem não concordou com a crítica. “Guardian diz que insultei leitores de Ulysses. E meus leitores, insultados todos estes anos?”, indignou-se.
A frase polêmica surge no momento em que Paulo Coelho se concentra na divulgação de seu último livro, ‘Manuscrito encontrado em Accra’.

Comentário do blog: acho extremamente coerente ser o sr. Paulo Coelho o guru da sociedade pós-moderna...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Cota para aluno de escola pública é vista com reserva

O Estadão


OCIMARA BALMANT - Agência Estado
O projeto de lei aprovado ontem no Senado, que prevê metade das vagas de universidades federais para alunos oriundos da rede pública, é visto com reservas por educadores. Para o diretor da Fapesp e ex-reitor da Unicamp Carlos Henrique de Brito Cruz, o projeto de lei é ruim porque fere a autonomia. "É uma usurpação da autonomia universitária, porque viola o direito de que cada instituição decida o modelo mais adequado, que tenha mais relação com a sua tradição de avaliar o mérito acadêmico", argumenta.
Para o professor Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), o estabelecimento de cotas sociais é importante à medida em que pode facilitar o acesso de estudantes de escolas públicas a cursos mais concorridos. "Basta ver os cursos mais disputados de qualquer universidade pública, para ver como é raríssimo encontrar algum estudante oriundo do sistema público", diz - o que, segundo ele, perpetua a disparidade social, já que os estudantes do sistema público tendem a ter um nível socioeconômico mais baixo.
Uma boa implementação da política, no entanto, depende de estudos prévios. "É preciso pegar os dados do Sistema de Avaliação Básica (Saeb), para entender as particularidades desses estudantes de escolas públicas. Eles não são todos iguais", avalia. "Não dá para fazer políticas genéricas." Quanto às cotas raciais, ele é contrário. "Acho que isso não funciona, porque vai muito da autodefinição e os detalhes e diferenças são todos muito sutis", explica Alavarse.
Segundo o projeto de lei, nas vagas reservadas a cotas sociais ocorrerá um ajuste racial, feito com base nos porcentuais dos perfis étnicos em cada Estado. Por exemplo, a reserva de vagas para negros em Santa Catarina será menor que na Bahia.
Nas universidades estaduais paulistas, a discussão sobre cotas raciais está fora da pauta. Assim que o Supremo Tribunal Federal (STF) votou pela constitucionalidade das cotas raciais, em abril deste ano, USP, Unesp e Unicamp se disseram contrárias à medida. Elas defendem a prevalência do mérito na seleção, embora tenham ações de inclusão - sem, no entanto, reservar vagas.
Atualmente, a USP mantém o Programa de Inclusão Social (Inclusp), que dá bônus no vestibular a estudantes da rede pública. Neste ano, 28% dos novos alunos vieram de escolas públicas. Mesmo sem reservar vagas, a Unicamp é a única que tem benefício específico para pretos, pardos e indígenas. Eles chegam a receber 7% de bônus na nota, cerca de 2 pontos porcentuais a mais que alunos de escola pública - também beneficiados. No último vestibular, 8,9% dos matriculados na Unicamp vieram do grupo de pretos, pardos e indígenas. Das três, a Unesp foi a que mais incluiu alunos vindos de escolas públicas: 41%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Comentário do Blog: se não houver investimento para melhorar a educação do ensino fundamental e de segundo grau os alunos de escolas públicas podem até ingressar na faculdade, mas desistirão no início ou meio do curso. É incrível como o problema fundamental da questão "educação " não é atacado pelos políticos: a má qualidade do ensino público.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Perguntar Não Ofende...

      O que está sendo feito pela prefeitura de Campos dos Goytacazes em relação às empresas que pegaram dinheiro com a FUNDECAM para se instalarem e desenvolverem suas atividades em nosso município e não o fizeram?
      Alguns exemplos: refrigerantes Coroa, que ficou de instalar uma unidade próxima a Guandu, e nem sinal de fábrica nenhuma. Se não me engano há mais de dois anos. 
      Fábrica de massas em Baixa Grande: instalada, mas, segundo informações dos moradores do local, não está funcionando.
      Fábrica de lâmpadas próxima a Travessão. Prédio construído, mas sem funcionamento.
      NÃO ESQUEÇAMOS QUE TUDO ISSO É DINHEIRO PÚBLICO. Perguntar não ofende!

Escalada da obesidade infantil esquenta debate sobre publicidade para crianças

Folha de São Paulo
JULIANA VINES


       A obesidade infantil está no centro de um debate que coloca, de um lado, a indústria de alimentos e suas guloseimas e, do outro, as organizações de direito do consumidor e sociedades médicas.
      A causa da discórdia é a publicidade de alimentos para crianças no Brasil, se seria ou não um dos fatores responsáveis pelo crescimento assustador dos índices de obesidade infantil no país.
      O IBGE mostrou aumento de mais de 200% na incidência de sobrepeso entre crianças de cinco a nove anos nas últimas três décadas. Para especialistas, é uma tendência comparável à epidemia de obesidade nos EUA.
      O tema vai ser discutido nesta quinta na Câmara dos Deputados, em um seminário na Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Na pauta, os projetos de lei parados no Congresso sobre regulação de publicidade infantil.
     "O Brasil tem que avançar. Já há controle sobre a propaganda de cigarro e de bebidas, evidente que precisa haver controle sobre a publicidade para crianças", diz o deputado Domingos Dutra (PT/MA), que preside a comissão.
      Já o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) diz que a legislação do país está entre "as mais exigentes do mundo".
Editoria de Arte/Folhapress
      Um projeto que tramita no Senado é o 150/2009, que limita os horários para veicular comerciais de alimentos com alto teor de gordura, sódio e açúcar e de bebidas de baixo valor nutricional.
      Esses comerciais poderiam ir ao ar só das 21h às 6h, seguidos de alertas sobre o risco do consumo excessivo dos produtos. Ficaria proibido o uso de personagens infantis na publicidade de alimento.
      O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária do Conar já diz que "quando o produto for destinado à criança, sua publicidade deverá abster-se de qualquer estímulo imperativo de compra", especialmente se apresentados por personagens ou autoridades.

CONFLITO DE INTERESSES
      O Brasil não tem leis específicas, mas o Código de Defesa do Consumidor proíbe a publicidade que "se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança". Além disso, entidades da indústria e o Conar têm normas de autorregulamentação.
      "A autorregulamentação não tem funcionado, exemplos comprovam. Há conflito de interesses no fato de o mercado defender a saúde pública em detrimento do próprio mercado", diz Mariana Ferraz, advogada do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).
      "Além de serem veiculados no intervalo de programas infantis, muitos comerciais usam os próprios personagens. É como se fosse uma continuação do desenho", critica Patrícia Alvares Dias, assessora técnica do Procon-SP.
      Outro problema, para a advogada Isabella Henriques, do Instituto Alana, é a venda de alimentos com brindes colecionáveis. "É um incentivo para a criança comer mais. Nas promoções, ela tem até 60 dias para fazer a coleção."
      Sobre isso já há algumas iniciativas locais: em Belo Horizonte e Florianópolis há leis que proíbem a venda de brinquedos junto com alimentos em redes de fast food.

CÁLCULO DE INFLUÊNCIA
    Várias pesquisas já tentaram medir até onde vai a influência da publicidade na alimentação das crianças, o que não é nada fácil.
Gabo Morales/Folhapress
"Há inúmeros fatores que podem interferir, mas há um acúmulo de evidências que mostram a influência direta da publicidade na escolha de produtos pela criança", argumenta Daniel Bandoni, doutor em nutrição em saúde pública e professor da Unifesp.
Se medir o efeito dos anúncios é difícil, concluir que eles vendem alimentos não saudáveis é fácil: 67% deles são de produtos com muito sal, açúcar ou gordura, segundo um levantamento de 2010 coordenado pela Universidade de Liverpool que analisou 12.618 peças publicitárias de 11 países, incluindo o Brasil.

      Dependendo da idade, a criança não tem senso crítico em relação ao anúncio, diz a pesquisadora Inês Vitorino, autora de "Televisão, Publicidade e Infância" (AnnaBlume, esgotado).
     "Só por volta dos 12 anos ela começa a estabelecer a relação entre causa e consequência e reconhece o discurso comercial."


MUITAS CAUSAS
      A obesidade infantil tem muitas causas e os médicos são unânimes ao afirmar que a publicidade de alimentos não é a principal delas.
      O primeiro fator é genético: se pai e mãe são obesos, o risco de a criança ser obesa é de 80%, diz a endocrinologista Zuleika Halpern, da Abeso (associação de estudo da obesidade). Se só um dos pais é obeso, o risco cai para 50%, e, se nenhum é, para 10%.
Há ainda o fator ambiental. Inclui comportamento familiar, hábitos e influências externas -como a publicidade.
      "A publicidade induz a criança a pedir o produto aos pais, mas há um limite desse poder, isso sempre vai passar pela triagem de um adulto", diz Luis Eduardo Calliari, endocrinologista pediátrico.

OUTRO LADO
     O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) entende que a legislação e a autorregulamentação vigentes estão entre "as mais exigentes" do mundo. "Pelo Código de Defesa do Consumidor, um anunciante está sujeito à pena de detenção por propaganda enganosa", afirma Gilberto Leifert, presidente do órgão.
     Diz o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária do Conar: "Quando o produto for destinado à criança, sua publicidade deverá abster-se de qualquer estímulo imperativo de compra".
      Leifert não vê conflito de interesses no fato de um órgão de representantes do mercado regular o próprio mercado. "O conselho de ética do Conar, responsável pelo julgamento dos processos, reserva espaço a representantes da sociedade civil [...] convidados a apresentar o ponto de vista do consumidor."
       A criação de leis sobre o tema, diz ele, é desnecessária. "Os consumidores são aptos a tomar decisões com base nas informações veiculadas em anúncios e na imprensa."
     Segundo Rafael Sampaio, vice-presidente da Associação Brasileira de Anunciantes, não há evidências precisas sobre o papel da publicidade na obesidade infantil.
    "Um estudo encomendado pelo governo britânico mostrou que há dezenas de fatores que contribuem para o aumento da obesidade e a propaganda é só um deles, e nem é o mais influente", diz.
    Outro dado que ele cita é da província de Québec, no Canadá, onde a publicidade para crianças é proibida há 30 anos. "Um estudo de 2004 demonstrou que o índice de obesidade das crianças nessa província era de 7%, contra 8% do restante do país."
    Em carta, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação, Edmundo Klotz, diz que a indústria está preocupada em reduzir [até 2020] o teor de sódio e gordura dos alimentos, com base em acordo firmado em 2011 entre a indústria e o Ministério da Saúde.
    A associação entende que a publicidade não é um fator determinante para a escalada da obesidade infantil, "mas reconhece a importância de tratar o assunto com muita responsabilidade".
   Em 2009, 23 indústrias de alimentos se comprometeram a "não fazer, para crianças abaixo de 12, publicidade de alimentos ou bebidas, com exceção de produtos cujo perfil nutricional atenda a critérios específicos baseados em evidências científicas".

A “caça às bruxas”: uma interpretação feminista

Blog da REA


ROSÂNGELA ANGELIN*
A “caça às bruxas é um elemento histórico da Idade Média. Entre os séculos XV e XVI o “teocentrismo” – Deus como o centro de tudo – decai dando lugar ao “antropocentrismo“, onde o ser humano passa a ocupar o centro. Assim, a arte, a ciência e a filosofia desvincularam-se cada vez mais da teologia cristã, conduzindo, com isso a uma instabilidade e descentralização do poder da Igreja. Como uma forma de reconquistar o centro das atenções e o poder perdido, a Igreja Católica instaurou os “Tribunais da Inquisição”, efetivando-se assim a “caça às bruxas“. Mas quem eram, enfim, estas mulheres que fizeram parte de um capítulo tão horrendo da história da humanidade, e por que o feminismo retoma as bruxas como um dos seus principais símbolos?
1. A “caça às bruxas”
A “caça às bruxas” durou mais de quatro séculos e ocorreu, principalmente, na Europa, iniciando-se, de fato, em1450 e tendo seu fim somente por volta de 1750, com a ascensão do Iluminismo. A “caça às bruxas” admitiu diferentes formas, dependendo das regiões em que ocorreu, porém, não perdeu sua característica principal: uma massiva campanha judicial realizada pela Igreja e pela classe dominante contra as mulheres da população rural (EHRENREICH & ENGLISH, 1984: 10). Essa campanha foi assumida, tanto pela Igreja Católica, como a Protestante e até pelo próprio Estado, tendo um significado religioso, político e sexual. Estima-se que aproximadamente 9 milhões de pessoas foram acusadas, julgadas e mortas neste período, onde mais de 80% eram mulheres, incluindo crianças e moças que haviam “herdado este mal” (MENSCHIK, 1977: 132).
1.1. Quem eram as bruxas
Ao buscarmos uma definição do termo “bruxa” em dicionários, logo pode-se perceber a direta vinculação com uma figura maléfica, feia e perigosa. Neste sentido, também os livros infanto-juvenis costumam descrever histórias onde existe uma fada boa e linda e uma bruxa má e horrível. [1]
Ao analisarmos o contexto histórico da Idade Média, vemos que bruxas eram as parteiras, as enfermeiras e as assistentes. Conheciam e entendiam sobre o emprego de plantas medicinais para curar enfermidades e epidemias nas comunidades em que viviam e, conseqüentemente, eram portadoras de um elevado poder social. Estas mulheres eram, muitas vezes, a única possibilidade de atendimento médico para mulheres e pessoas pobres. Elas foram por um longo período médicas sem título. Aprendiam o ofício umas com as outras e passavam esse conhecimento para suas filhas, vizinhas e amigas.
Segundo afirmam EHERENREICH & ENGLISH (1984, S. 13), as bruxas não surgiram espontaneamente, mas foram fruto de uma campanha de terror realizada pela classe dominante. Poucas dessas mulheres realmente pertenciam à bruxaria, porém, criou-se uma histeria generalizada na população, de forma que muitas das mulheres acusadas passavam a acreditar que eram mesmo bruxas e que possuíam um “pacto com o demônio”.
O estereótipo das bruxas era caracterizado, principalmente, por mulheres de aparência desagradável ou com alguma deficiência física, idosas, mentalmente perturbadas, mas também por mulheres bonitas que haviam ferido o ego de poderosos ou que despertavam desejos em padres celibatários ou homens casados.
1.2. A “caça às bruxas e o “Tribunal da Inquisição”
Com a ascensão da Igreja Católica, o patriarcado imperou, até mesmo porque Jesus era um homem. Neste contexto, tudo o que a mulher tentava realizar, por conta própria, era visto como uma imoralidade (ALAMBERT, Ano II: 7). Os costumes pagãos que adoravam deuses e deusas passaram a ser considerados uma ameaça. Em 1233, o papa Gregório IX instituiu o Tribunal Católico Romano, conhecido como “Inquisição” ou “Tribunal do Santo Ofício”, que tinha o objetivo de terminar com a heresia e com os que não praticavam o catolicismo. Em 1320 a Igreja declarou oficialmente que a bruxaria e a antiga religião dos pagãos representavam uma ameaça ao cristianismo, iniciando-se assim, lentamente, a perseguição aos hereges.
A “caça às bruxas” coincidiu com grandes mudanças sociais em curso na Europa. A nova conjuntura gerou instabilidade e descentralização no poder da Igreja. Além disso, a Europa foi assolada neste período por muitas guerras, cruzadas, pragas e revoltas camponesas, e se buscava culpados para tudo isso. Sendo assim, não foi difícil para a Igreja encontrar motivos para a perseguição das bruxas.
Para reconquistar o centro das atenções e o poder, a Igreja Católica efetivou a conhecida “caça às bruxas”. Com o apoio do Estado, criou tribunais, os chamados “Tribunais da Inquisição” ou “Tribunais do Santo Ofício”, os quais perseguiam, julgavam e condenavam todas as pessoas que representavam algum tipo de ameaça às doutrinas cristãs. As penas variavam entre a prisão temporária até a morte na fogueira. Em 1484 foi publicado pela Igreja Católica o chamado “Malleus Maleficarum”, mais conhecido como “Martelo das Bruxas”. Este livro continha uma lista de requerimentos e indícios para se condenar uma bruxa. Em uma de suas passagens, afirmava claramente, que as mulheres deveriam ser mais visadas neste processo, pois estas seriam, “naturalmente”, mais propensas às feitiçarias (MENSCHIK, 1977: 132 e EHRENREICH & ENGLISH, 1984: 13).
1. 3. Os “crimes” praticados pelas bruxas
No contexto da “caça às bruxas” haviam várias acusações contra as mulheres. As vítimas eram acusadas de praticar crimes sexuais contra os homens, tendo firmado um “pacto como demônio”. Também eram culpadas por se organizarem em grupos – geralmente reuniam-se para trocar conhecimentos acerca de ervas medicinais, conversar sobre problemas comuns ou notícias. Outra acusação levantada contra elas, era de que possuíam “poderes mágicos”, os quais provocavam problemas de saúde na população, problemas espirituais e catástrofes naturais (EHRENREICH & ENGLISH, 1984: 15).
Além disso, o fato dessas mulheres usarem seus conhecimentos para a cura de doenças e epidemias ocorridas em seus povoados, acabou despertando a ira da instituição médica masculina em ascensão, que viu na Inquisição um bom método de eliminar as suas concorrentes econômicas, aliando-se a ela.
1.4. Perseguição e condenação à fogueira
Qualquer pessoa podia ser denunciada ao “Tribunal da Inquisição”. Os suspeitos, em sua grande maioria mulheres, eram presos e considerados culpados até provarem sua inocência. Geralmente, não podiam ser mortos antes de confessarem sua ligação com o demônio. Na busca de provas de culpabilidade ou a confissão do crime, eram utilizados procedimentos de tortura como: raspar os pêlos de todo o corpo em busca de marcas do diabo, que podiam ser verrugas ou sardas; perfuração da língua; imersão em água quente; tortura em rodas; perfuração do corpo da vítima com agulhas, na busca de uma parte indolor do corpo, parte esta que teria sido “tocada pelo diabo”; surras violentas; estupros com objetos cortantes; decapitação dos seios. A intenção era torturar as vítimas até que assinassem confissões preparadas pelos inquisidores. Geralmente, quem sustentava sua inocência, acabava sendo queimada viva. Já as que confessavam, tinham uma morte mais misericordiosa: eram estranguladas antes de serem queimadas. Em alguns países, como Alemanha e França, eram usadas madeiras verdes nas fogueiras para prorrogar o sofrimento das vítimas. E, na Itália e Espanha, as bruxas eram sempre queimadas vivas. Os postos de caçadores de bruxas e informantes eram financeiramente muito rentáveis. Estes, eram pagos pelo Tribunal por condenação ocorrida e os bens dos condenados eram todos confiscados.
O fim da “caça às bruxas” ocorreu somente no século XVIII, sendo que a última fogueira foi acesa em 1782, na Suíça. Porém, a Lei da Igreja Católica que fundou os “Tribunais da Inquisição”, permaneceu em vigor até meados do século XX. A “caça às bruxas” foi, sem dúvida, um processo bem organizado, financiado e realizado conjuntamente pela Igreja e o Estado. [2]
2. O feminismo e o resgate da imagem das bruxas
Diante de tantas mortes de mulheres acusadas por bruxaria durante este período, podemos afirmar que o ocorrido se tratou de um verdadeiro genocídio contra o sexo feminino, com a finalidade de manter o poder da Igreja e punir as mulheres que ousavam manifestar seus conhecimentos médicos, políticos ou religiosos. Existem registros de que, em algumas regiões da Europa a bruxaria era compreendida como uma revolta de camponeses conduzida pelas mulheres (EHRENREICH & ENGLISH, 1984: 12). Nesse contexto político, pode-se citar a camponesa Joana D`arc, que aos 17 anos, em 1429, comandou o exército francês, lutando contra a ocupação inglesa. Esta acabou sendo julgada como feiticeira e herege pela Inquisição e queimada na fogueira antes de completar 20 anos. Diante disso, configurava-se a clara intenção da classe dominante em conter um avanço da atuação destas mulheres e em acabar com seu poder na sociedade, a tal ponto que se utilizava meios de simplesmente exterminá-las.
O feminismo busca resgatar a verdadeira imagem das bruxas em nossa história, analisando não somente os aspectos religiosos, mas também políticos e sociais que envolveram a “caça às bruxas” na Idade Média. No olhar feminista, as bruxas, através de seus conhecimentos medicinais e sua atuação em suas comunidades, exerciam um contra-poder, afrontando o patriarcado e, principalmente, o poder da Igreja. Em verdade, elas nada mais foram do que vítimas do patriarcado (ALAMBERT, Ano II, n° 48: 7). Atualmente, as mulheres ainda continuam sendo discriminadas e duramente criticadas por lutarem pela igualdade de gênero e a divisão do poder social e econômico, que ainda é predominantemente masculino, continuando vítimas do patriarcado. Por isto, as bruxas representam para o movimento feminista não somente resistência, força, coragem, mas também a rebeldia na busca de novos horizontes emancipadores.
Referências
ALAMBERT, Zuleika. Por uma nova imagem. Educação & Cultura – Diário Comercial, Ano II, n° 48.
EHRENREICH, Barbara & ENGLISH, Deirdre. Hexen, Hebammen und Krankenschwestern. 11. Auflage. München: Frauenoffensive, 1984.
MENSCHIK, Jutta. Feminismus, Geschichte, Theorie und Praxis. Köln: Verlag Pahl-Rugenstein, 1977.

* ROSÂNGELA ANGELIN é Militante feminista e Doutora em Ciências Jurídicas na Universidade de Osnabrück – Alemanha e Professor Titular da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões. Publicado na REA, nº 53, outubro de 2005, disponível emhttp://www.espacoacademico.com.br/053/53angelin.htm
[1] A figura da bruxa como uma mulher, velha, feia, rabugenta e assustadora, foi introduzida a partir dos contos e histórias dos Irmãos Grümm (escritores alemães).
[2] A posição da Igreja é contraditória referente ao tema “caça às bruxas”. Existem documentos nos quais a Igreja pronunciava-se contra a tortura e assassinato destas vítimas, conduzidos pelas oligarquias locais.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Quando o exercício prejudica a saúde das mulheres

Ricardo Guerra
O Estadão


securedownload.jpg
A participação das mulheres em eventos de ultra-resistência como a maratona, o triátlon, o Ironman e outras modalidades esportivas vem adquirindo importância e aumentou significativamente nas últimas décadas. Muitas dessas atletas participam nesses eventos por diversas razões como, por exemplo, pelo grande desafio e verdadeira paixão pela atividade física. Outras, ainda procuram a melhor forma física e benefícios cardiovasculares.
Na verdade, as mulheres hoje em dia, sofrem constantes pressões da sociedade para se manter em forma com um corpo magro e torneado. Além disso, várias formas de publicidade chegam a impor essa necessidade por todos os lados, glorificando demasiadamente mulheres com tais características físicas. Assim sendo, com toda esta propaganda obsessiva e exagerada, a ideia que se tem é que qualquer pessoa que esteja ligeiramente acima do peso estabelecido é portadora de uma doença letal.
Tomemos, por exemplo, o caso da nadadora olímpica australiana Leisel Jones, que recentemente foi ridicularizada pela imprensa ao insinuar que a competidora parecia estar fora do peso ideal de uma atleta olímpica. Na verdade, tais críticos deveriam ter dado mais atenção à sua habilidade dentro desse esporte, ao invés de focarem em sua aparência física. Infelizmente, tal situação confrontada pela nadadora é um exemplo nítido de como a análise, em geral, da mídia australiana se tornou tão superficial.
Entretanto, é importante notar, que muitas atletas que participam em tais eventos de ultra-resistência profissionalmente precisam prestar atenção tanto ao excesso quanto a perda de peso, pois o desempenho esportivo pode ser afetado negativamente. Consequentemente, é ai onde os problemas potencialmente começam. De fato, determinação é o que não falta para muitas dessas atletas que muitas vezes de forma obsessiva chegam perto de seus limites em busca de um físico torneado e esculpido. E com isso, frequentemente se submetem às cargas de treinamento esdrúxulas e participam de competições altamente desgastantes, colocando a  saúde em risco e levando o organismo à complicações médicas em decorrência  das competições múltiplas e das cargas de treinamentos altamente extenuantes.
A chamada Tríade da Mulher Atleta (TMA), cuja síndrome é o conjunto de sinais clínicos e sintomas inter-relacionados, afeta tanto atletas da elite quanto outras praticantes de atividade física, e é caracterizada por distúrbios alimentares, redução da massa óssea, e amenorreia  (ciclos menstruais diminuídos ou ausentes). Tal condição é muito comum em participantes de ultra-resistência assim como em outras modalidades das quais o peso adequado das participantes é de suma importância (ex: ginástica olímpica e balé).
Portanto, sabe-se que não é incomum que as atletas que participam de modalidades de ultra-resistência e outras atividades esportivas desgastantes sofram de diferentes graus de anomalias do ciclo menstrual.
De fato, uma pesquisa realizada pela Dra. Lisa Micklesfield, fisiologista da University of Cape Town, concluiu que a maioria das corredoras em seu estudo sofria de disfunção menstrual. Em conversa por telefone ela afirmou que, “Na verdade, as corredoras que sofrem de irregularidade menstrual têm menor densidade de massa óssea.”
Assim sendo, tal problema é caracterizado por níveis suprimidos de estrogênio. Em contrapartida, índices normais deste hormônio desempenham um papel importante no atraso da degradação óssea. É muito importante notar que a formação de massa óssea atinge seu pico por volta dos 20 anos.
Dessa maneira, as atletas que se submetem às sessões extenuantes de atividades físicas, ainda mais, durante tal momento crítico, sem apoio nutricional adequado, estão realmente prejudicando a saúde, enquanto que o organismo está tentando aumentar e armazenar a densidade óssea, que serão cruciais para a integridade óssea ao longo de toda vida. Além disso, um ponto crucial, que muitos não estão cientes é que a massa óssea perdida é provavelmente irrecuperável.
Na maioria dos casos, é bem possível que o problema das atletas que sofrem diferentes tipos de disfunção reprodutiva possa estar ligado aos hábitos alimentares que são geralmente caracterizados pelo subconsumo de calorias ou por um balanço energético negativo (abaixo das necessidades).
O termo “balanço energético” refere-se à quantidade de calorias que são gastas em relação às que são consumidas. Pode-se dizer que uma pessoa encontra-se num equilíbrio energético ideal quando a quantidade gasta corresponde às calorias consumidas. Assim sendo, um balanço de energia ideal é quando não há déficit calórico nem consumação em excesso de calorias.
A maioria dos distúrbios menstruais e diferentes graus de infertilidade sofridos pelas atletas parecem estar ligados a uma deficiência crônica de energia. Em outras palavras, a quantidade de calorias que uma atleta ou uma mulher fisicamente ativa consome, simplesmente não é adequada para suprir as demandas energéticas que correspondem ao seu consumo diário em decorrência da atividade física.
Na verdade, o sistema neuroendócrino é muito sensível e suscetível ao estresse do exercício de tal forma que afeta diretamente o sistema reprodutivo. Os estados clínicos e as situações caracterizadas por déficit calórico, ocasionam impacto significativo no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HPG). Estas glândulas funcionam muitas vezes em cooperação e trabalham como se fossem um único sistema, desempenhando um papel importante no desenvolvimento e no controle do sistema reprodutivo. Os estados calóricos deficitários geram desequilíbrio hormonal que consequentemente afetam de forma negativa o sistema reprodutor feminino e a formação óssea.
A Dra. Mary Jane De Souza, pesquisadora de renome mundial da Pennsylvania State University, envolvida em pesquisas importantes sobre a síndrome da Tríade da Mulher Atleta (TMA), me disse que, “Quando o volume do fornecimento de energia não é suficiente para suprir ou reabastecer as necessidades energéticas básicas, o corpo humano faz uma redistribuição de energia, sacrificando a função de reprodução e crescimento, em prol de outros processos que são essenciais e vitais e que obviamente também consomem energia como as funções de termorregulação, manutenção das células, e de locomoção”.
Esses estudos importantes e respeitados conduzidos pela Dra. De Souza trouxeram à tona a importância fundamental que a nutrição adequada e planejada exerce no desenvolvimento de um balanço energético positivo, e consequentemente, na tentativa de reverter às irregularidades menstruais.
O problema com modalidades de ultra-resistência é que uma pessoa, em virtude dos treinamentos excessivos e das competições,  tem um dispêndio energético extremo e por necessidade passa a gastar uma quantidade enorme de calorias. De tal forma, a reposição de tal gasto calórico se torna um desafio monumental.
Examinemos, por exemplo, o caso específico da natação, na qual muitos técnicos usam metodologias de treinamentos que muitas vezes são caracterizadas por volumes de cargas excessivas. Um nadador, como o norte-americano Michael Phelps, pode gastar até 12.000 calorias num só dia. Tal dispêndio energético é simplesmente impressionante. Comparemos isso com o gasto calórico médio de um cidadão comum que gera aproximadamente em torno de apenas 2750 calorias por dia. Para compensar tal gasto fenomenal, Phelps precisa ingerir quantidades de alimentos várias vezes por dia. Na verdade, ele precisa comer até quando estiver “dormindo”.
“A questão é que a maioria das atletas raramente dedica o tempo necessário para planejar um regime dietético adequado da mesma maneira que fazem com os planejamentos das suas metodologias de treinamento,” disse a Dra. De Souza.
“Na verdade, é um problema filosófico no sentido de que elas simplesmente excluem, ou não dão atenção alguma, a um planejamento dietético adequado dentro da programação de treinamento,” acrescentou.
No momento, a causa da disfunção reprodutiva em atletas do sexo feminino é um tema interessante e em evidência dentro do campo da fisiologia do exercício.
Seria importante mencionar que tanto o estresse mental, assim como o estresse relacionado às condições fisiológicas caracterizadas pela deficiência calórica causam disturbios do ciclo menstrual. Desta forma, fica difícil apontar exatamente  para a causa principal das irregularidades menstruais. Também existem outras patologias que podem causar a disfunção menstrual nas mulheres, principalmente naquelas atletas com períodos irregulares caracterizados por longos intervalos.
No entanto, para a disfunção menstrual relacionada à deficiência de energia, as soluções ainda não são totalmente evidentes. A Dra. Micklesfield ficou surpresa quando lhe perguntei se uma programação alimentar por si só poderia resolver o problema do balanço de energia e da disfunção óssea e menstrual.
“Nós não temos estudos controlados-randomizados, que comprovem que os problemas relacionados ao sistema reprodutor feminino, causados por uma dieta com deficiência calórica (um balanço negativo de energia), possa ser realmente resolvido, por si só, através da alimentação,” disse ela.
A resposta definitiva para a pergunta que fiz para a Dra. Micklesfield pode chegar nas conclusões de um estudo pioneiro que se encontra em curso conduzido pela Dra. De Souza. O estudo da Dra. De Souza é apoiado pelo Departamento de Defesa dos EUA, e é o primeiro estudo controlado-randomizado com o intuito de examinar a questão em causa.
“Estamos dividindo as atletas em dois grupos dentro do nosso estudo. Um grupo receberá mais alimentos do que o outro. Assim sendo, vamos verificar com certeza se as atletas são capazes ou não de obter uma normalidade dos seus ciclos menstruais em decorrência do consumo maior de calorias,” afirmou a Dra. De Souza.
Entretanto, até a publicação dos resultados finais do estudo da Dra. De Souza, atletas femininas em geral não terão nada a perder, e talvez tudo a ganhar, assegurando-se que estão ingerindo todas as calorias necessárias de uma dieta adequada. Ao se alimentarem corretamente, dando atenção aos seus planejamentos nutricionais como fazem com os programas de treinamento, estariam dando um passo importante e antecipando as práticas que certamente virão e serão confirmadas pelo estudo da Dra. De Souza no próximo ano.

Descoberto fóssil de inseto com 365 milhões de anos

O Dia


França -  Cientistas do Museu Nacional de História Natural da França anunciaram nesta quarta-feira a descoberta do primeiro fóssil completo de um inseto pré-histórico com 8 milímetros de comprimento, tórax separado da cabeça e do abdôme, três pares de patas e 365 milhões de anos.
Foto: Reprodução Internet
Descoberta de fóssil é considerada um marco | Foto: Reprodução Internet
O fóssil do Strudiella devonica, que teria existido no período Devoniano Superior, foi descoberto pela equipe de André Nel em um sítio da localidade de Strud, na Bélgica. Sua descoberta foi tema de uma publicação, esta quarta-feira, no períodico científico Nature.
"É o primeiro fóssil quase completo do período Devoniano", afirmou André Nel. "Foi nesta época que estes animais começaram a se diversificar, a conquistar as terras emersas", acrescentou.
"É um marco, uma testemunha" que confirma as datações moleculares (feitas a partir doestudo de DNA), segundo as quais "os insetos são muito antigos", explicou.
Até agora, os únicos restos fossilizados de insetos deste período eram duas mandíbulas encontradas na Escócia.
O Strudiella devonica vem, assim, fazer a ponte entre o Rhyniella praecursor, com 400 milhões de anos, colêmbolo considerado um parente próximo dos insetos, e o período Carbonífero (entre 300 e 330 milhões de anos), rico em fósseis de insetos de todo tipo.
As informações são do iG